segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Parto










Minha cabeça está doendo
Serão os espinhos?
Não, esta coroa não é mais usada
Foi vencida por Aquele que a usou
É uma dor diferente
Dor que não dói
Dor de parto.

É a dor da idéia sendo gestada
Tomando forma no ventre da criação
Sendo moldada pelo Criador
Pelo Espírito Santo inspirador
Ele que é o Pai e o Médico
Oleiro exímio
Obstetra sem igual.

Ela vem vindo
E vem sem esperar nada
Só quer nascer
Ser posta pra fora
Já está pronta, formada
Fruto da Graça
Semeado na cabeça humana.

As contrações aumentam
Ela já está em posição
Caneta e papel na mão
Está saindo, está saindo
Força, força
Vai nascer, vai nascer
Nasceu!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Homem de Barro

E eis que tudo estava criado. Opa, tudo não. Faltava uma planta. Uma planta não, um bicho. Um bicho não, uma coisa. Uma coisa não, um... Bem, não podia descansar, pois estava incomodado com a ausência de uma criatura. Mas o que seria? Deve ter olhos, pra poder contemplar tudo o que foi criado. Deve ter ouvidos, pra que possa Me escutar. Deve ter boca, pra que possa conversar Comigo. Deve ter pernas, pra que possa andar por toda a Terra e explorar os confins da Criação. Deve ter braços e mãos, pra poder cuidar de tudo. Deve ter inteligência, pra discernir o certo e o errado, pra criar e pra governar. E, claro, deve ter um coração, pra que possa Me amar e amar todas as criaturas - Assim pensou o Criador. Retirou um espelho do bolso e então fitou Sua Sagrada Imagem. Já sei! - Disse o Onipotente - Farei algo à minha imagem e semelhança! Um amigo, um filho! O esplendor da Criação! A minha obra-prima! Mas como o farei? Que substância utilizarei?

Como um excelente oleiro que É, juntou um pouco de barro e começou a modelar. Ao final, soprou nas narinas da forma criada o sopro da Vida e disse: Terás no teu íntimo a minha essência, para que Eu esteja sempre em ti e tu sempre em Mim. E quando quiseres ter Comigo, buscar-Me-ás, em primeiro lugar, dentro do teu coração. A criatura então abriu os olhos e levantou-se, fitando o Criador, que disse: Do pó tornei-te homem e por nome te chamo Adão. E pra completar tua feitura, dar-te-Ei um presente: recebe a liberdade, o livre-arbítrio, pra que não se sinta preso às minhas vontades. Mas usa-o com sabedoria!

Contemplando a obra acabada, olhou pra uma das costelas da criatura e disse: Hum, tive uma idéia!
Mas aí é outra história...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Jesus Aprontando

galo

O Sol raiando
O vento soprando
O orvalho pingando
Os pássaros gorjeando
É Jesus aprontando!

O gato miando
O cachorro acordando
O galo cantando
As galinhas ciscando
É Jesus aprontando!

O mato perfumando
O gado pastando
A chuva ameaçando
A raposa se casando
É Jesus aprontando!

O sabiá sabiando
A manga amarelando
O caju avermelhando
O bicho-de-pé coçando
É Jesus aprontando!

A tapioca assando
O café cheirando
O bebê chorando
A mãe acalentando
É Jesus aprontando!

O sino badalando
O padre chamando
Os fiéis andando
Minha vó rezando
É Jesus aprontando!

Eu despertando
Da rede levantando
O corpo esticando
E tudo contemplando
É Jesus me amando!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Telefone de Jesus

Do Gênesis ao Apocalipse
Da Criação à Revelação
Da Introdução à Conclusão
Livro por livro
Capítulo por capítulo
Versículo por versículo
Termino a leitura
Cansado e confuso
Sem encontrar aquele número
Que tanto procuro.

Nos Jardins, conversei com Adão
E com Noé, na sua embarcação
Na Caldéia, perguntei a Abraão
E a Isaac, após a sua salvação, de um punhal que o pai tinha na mão
Com Jacó não me foi permitido, pois chorava o filho perdido
E José, o menino perdido, encontrei-o no Egito, do faraó um protegido
Não pôde ajudar, pois tinha como missão, um sonho para interpretar
Com Moisés fui falar, mas o homem era gago e não quis demorar, pois estava em fuga com o seu povo, rumo ao Mar
Josué não me deu atenção, pois marchava com uma trombeta na mão, a fim de derrubar os muros de uma grande região
Lutei com Gedeão e com Sansão, a fim de arrancar-lhes uma simples informação, mas fui vencido pela coragem e pela força de crias de um leão
Recorri a Heli e a Samuel, mas o primeiro já havia morrido e o último estava esbaforido, em busca do rei escolhido
Saul, após sua coroação, me disse que perdera o número e com o Homem já não tinha comunicação
Davi, de menino minguado a guerreiro invejado, me deixou falando solitário, pois ao trono fora chamado
Salomão, com sua divina sabedoria, não deu sua opinião, pois ocupava-se com o grande templo, que estava em construção
Isaías, Ezequiel, Jeremias e Daniel, recorri, sem sucesso, àqueles que mais telefonavam para o Céu.

Então fui além e no Novo adentrei
Dei de cara com um tal Herodes e pra este não perguntei,
Pois andava à procura dAquele, do nosso Menino Rei
Encontrei os Três do Oriente, que também eram reis
Me indicaram uma estrela e seguiram sua partida
Pois de número não sabiam e sua missão fora cumprida
Pela Galiléia então vaguei
Cegos, prostitutas e cochos interroguei
Fiscais do imperador e até os empregados do rei
Os fariseus eu evitei, pois estes não davam valor
Aquele que é o nosso Salvador
Os Doze então encontrei
E nenhum deles me disse o que não sei
Os discursos de Pedro escutei
Com as cartas de Paulo me deparei
E nas visões de João finalmente cheguei.

Terminadas as sagradas escrituras
Recorri, em oração, à Mãe cheia de Graça e de Ternura
Pra perguntar, cheio de esperança, sobre o objeto da minha procura
A Mãe, com candura, me disse que de número não lembrava
Pois está sempre com o Filho e, por isso, pra Ele nunca telefonava.

Agora, desnorteado e sem ter a quem recorrer,
Cansado de ler e de tanto escrever
Dotado apenas da Fé que me conduz
E do Espírito que é a minha Luz
Humildemente pergunto a você:
Qual é o número do telefone de Jesus?

Maninha

* Em homenagem a minha querida irmã.












Chegou num repente
No meio da gente
Brotou como semente
No coração da gente

Criança sapeca
Menina moleca
Cresceu da noite para o dia
E escolheu a Psicologia
Como via de Cruz

Morena clara
Olhos de luz
Será ela a mãe de Jesus?

É não!
É Mãezinha do Leo
Esposa do Raphael
Karla, Karlinha
Minha Maninha
É pedra preciosa
Que caiu do Céu.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nas asas da palavra (Minha Missão)












Pra longe eu vou
Nas asas da palavra eu vou
Sem pressa, com calma, eu vou.

E com Jesus eu vou
Sem Ele não vou
Fico em casa e acabou
Pois sem Ele nada sou.

Na frente Ele vai
Com as mãos nas rédeas Ele vai
Pois na garupa já não dá mais
Sou eu quem vai atrás.

Lançando redes, semeando campos
Carregando cruzes, ressuscitando sonhos
Nas asas da palavra nós vamos.

Jesus e a Matemática

Amanhã vou ao Céu
Vou falar com Jesus
Levando um caderno e um lápis
Uma borracha e uma tabuada
Ensinar-Lhe o pouco que sei das operações da Matemática
Pois me parece que deste assunto Ele não sabe nada.

Não falo dos logaritmos nem da raiz quadrada
Nem das potências e nem dos juros compostos
Nem dos polinômios tampouco dos números complexos
Falo dos simples cálculos aprendidos pela meninada.

Acho que na infância Ele não teve tempo
Na folga da carpintaria andava nos templos
Ensinando os sábios e os sem conhecimento
Através de parábolas e das sagradas escrituras
Que já sabia ler com tão grande desenvoltura.

Somar, Subtrair, Multiplicar e Dividir
Tais os ensinamentos que vou Lhe instruir.

Digo que não sabe e agora vou provar:
Como pode cinco pães somados com dois peixes e multiplicados por nada alimentar uma multidão?
Como pode, no caso daquela velhinha do templo, uma pessoa dar tudo o que tem e ganhar o Tudo? Até onde sei, tudo menos tudo sobra nada.
Como pode um único Cristo, na Eucaristia, se dividir em vários e todos receberem a mesma quantidade do todo?

Ah, Cristo, deixa estar
Amanhã vou te ensinar!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Homem de Pedra

Então voei
Voei e voei
Voei tanto que cansei
Então pousei
Num ombro de pedra
De um Homem de pedra
Com um manto de pedra
Braços abertos de pedra
Sobre uma montanha de pedra

Lá em baixo, uma cidade de pedra
Meninos de pedra
Com corações de pedra
Com sonhos de pedra
Com armas de pedra
Com balas de pedra
Vendendo pedras

Ah, Homem de pedra!
Tende piedade
Dos teus filhos de pedra.

Os Sessenta do meu Pai

* Em homenagem aos 60 anos do meu pai, completos no dia 02/11/2010.












Ah, como Deus é bom!
Da noite fez o dia
Do Cristo a Eucaristia
Da Graça fez Maria
E de uma Maria fez meu Pai.

Da serra, um rebento
De cassaco, o sustento
Das galinhas, o alimento
Da propaganda, o conhecimento
Aprendendo tudo sobre medicamento.

De Altemar, uma cantiga
Da pressão, uma amiga
Da farmácia, uma vida
De um cantinho, o coração.

Pra Mundoca fez um filho
Pra Fátima um marido
Pra Karla um querido
E pra mim um amigo.

Ah, se Deus permitir!
Se este seis virar de ponta pra baixo
E um nove se tornar
Sessenta já não será
Mas noventa, que alegria, meu Pai completará!

Conversa a Quatro

Jesus, como sempre, falante.
E falava de tudo, de um jeito todo especial.
Afinal, Ele é a Palavra em pessoa.
O Verbo, o Substantivo.
O Sujeito e o Predicado.
O Objeto Direto e o Indireto.
O Início e o Fim.

Sua voz chegava aos lugares mais íntimos do coração,
Transformando tudo,
Renovando tudo.
Vez ou outra fazia uma pausa.
E um silêncio profundo reinava.
Às vezes é tudo o que precisamos ouvir: o Silêncio.
Silêncio que também transforma, que também renova.
Tudo é graça!
Mas logo retomava o discurso e a conversa continuava.

A Mãezinha babava ouvindo o Filho falar.
Terço na mão, manto azul, véu branco como a neve.
Que linda!
Um cheiro de rosas no ar.
Cheiro de mãe.
Cheiro da Mãe.
Quando falava, também encantava.
Terá o Filho aprendido com Ela?
Ou foi Ela que aprendeu com o Filho?
A cronologia de Deus às vezes confunde.
Afinal, o tempo dEle é muito diferente do nosso.
E Ela doce, meiga.
Tão rainha e tão vassala.
Contrastes do Céu.
Só Ela interrompia o discurso do Filho,
Pra interceder por alguem além de nossa conversa.

Meu Anjo, ao meu lado, com os olhos fixos no Senhor.
Que exemplo de Adorador!
Quase não falou.
E quando voltava-se para a Mãe,
Fazia uma reverência digna de um bom súdito.
Amigo fiel,
Mensageiro de Deus.
Não saiu do meu lado um só minuto.

E eu? Ah, eu!
Era só alegria, diante de tão elevada companhia.
Não sabia se falava ou se só ouvia.
Esquecendo de ser Marta, aprendendo a ser Maria.
Desejando a graça da Sabedoria, do Amor e do Perdão, que emanava de tão Santa Reunião.

E a você faço um convite.
De desfrutar também de tão sagrada conversação.
Na Igreja mais próxima ou na capela ao lado.
No vazio da sala ou no escuro do quarto.
Em todo canto é possível uma conversa a quatro.