domingo, 5 de dezembro de 2010
Partida
É chegada a hora,
O último pau-de-arara vai partir.
Tristeza para os que ficam,
Alegria para os que vão.
Aos que ficam, como eu,
Que possamos chorar a dor da saudade.
Mas que esta dor não se perpetue.
Que possamos chorar no tempo que é para chorar
E sorrir no tempo que é para sorrir.
Afinal, devemos nos alegrar com a felicidade dos que vão.
Que a tristeza, provocada pela dor da saudade,
Não nos esconda esta realidade:
Eles vão felizes, a Casa, a Pátria, a Deus, Adeus!
Praia
Vi uma praia,
A minha praia.
Vi Cristo sorrindo,
De braços abertos,
Olhando para mim.
Ele me abraçou
E me mostrou,
Atrás dEle,
Na areia da praia,
Um parágrafo,
O começo de minha história a partir de então.
Estava em letras graudas,
Mas não consegui ler o que estava escrito.
Preocupei-me com as ondas
Obstinadas a apagar tudo.
Para meu consolo,
Jesus disse:
Filho, te preocupas em vão,
Tua história está gravada em meu coração.
Suave Presença
Onde está o meu coração? Está em Jesus, está em Maria. Sob os cuidados dos dois. Minha vontade humana é de abandonar tudo. De largar tudo. De ir embora. Viver no meio dos outros está sendo muito difícil. Não consigo sentir nada.
Mas algo me impede de ir. Sei que neste meu momento de fraqueza, a Graça de Deus abunda em mim, através do Coração de Jesus e da presença constante da Mãe.
E, falando nela, sua doce companhia nunca foi tão sentida. A Mãe que me conduz ao Filho. A Mãe que me protege do leão que me cerca, querendo aproveitar-se de meu momento de fraqueza. É principalmente através dela que a Graça chega nestes tempos ao meu coração. Ela, que neste momento está ao meu lado, sentada neste banco, afagando minha cabeça por meio do vento que bagunça os meus cabelos. Suave presença que me faz chorar. Canal de Graça que Deus usa hoje para chegar ao meu coração. Caminho de Graça que me leva ao Seu Coração.
Mas algo me impede de ir. Sei que neste meu momento de fraqueza, a Graça de Deus abunda em mim, através do Coração de Jesus e da presença constante da Mãe.
E, falando nela, sua doce companhia nunca foi tão sentida. A Mãe que me conduz ao Filho. A Mãe que me protege do leão que me cerca, querendo aproveitar-se de meu momento de fraqueza. É principalmente através dela que a Graça chega nestes tempos ao meu coração. Ela, que neste momento está ao meu lado, sentada neste banco, afagando minha cabeça por meio do vento que bagunça os meus cabelos. Suave presença que me faz chorar. Canal de Graça que Deus usa hoje para chegar ao meu coração. Caminho de Graça que me leva ao Seu Coração.
Anjo
Vi um anjo
Muito alto
Manto longo
Asas enormes
Cabelos compridos.
Eu estava numa clareira
Ele descia dos céus na minha frente
Possuía uma espada na mão direita
E queria dar-me algo.
Despertava em mim um grande temor
Imponente
Radiante
Grandioso.
O que me deu?
O que recebi?
Ainda não sei
Procuro descobrir.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Ciranda (da Trindade)
No princípio de tudo, o Pai criou tudo
Inclusive nós, que achamos que somos tudo
E fazemos de tudo para termos tudo
Esquecendo-nos que somente o Pai é Tudo
E que tudo é do Pai.
Na plenitude dos tempos
O Pai, que é Tudo, nos enviou o seu Filho,
Que é Único, que é Tudo,
Pra nos mostrar que só o Pai é Tudo
E que o nosso tudo é nada, sem o Pai.
Nós, cheios de tudo,
Não reconhecemos o Filho,
Que é Pleno, que é Tudo,
Achando que Ele não fosse nada
E que nada poderia fazer por nós.
Ele, cheio de Tudo,
Fez-se um Nada,
Para nos ensinar
Que é preciso ser um nada
Para se chegar ao Tudo.
O Filho, sendo um Nada,
Entregou-se àqueles
Que se achavam um tudo,
Obedecendo a vontade do Tudo,
Para salvar a todos.
E como um Nada, morreu numa Cruz
No meio dos que não eram nada
E como um Tudo, venceu a morte
Ressuscitando e aparecendo aos poucos
Que O reconheceram como o Tudo.
Subiu aos Céus, está com o Pai
E enviou o seu Espírito,
Que é Santo, Que é Tudo,
Para nos ensinar a sermos santos,
Sendo nada, conquistando assim o Tudo.
E na nova plenitude dos tempos,
Quando o tudo virar nada,
O Filho voltará, com a Glória do Pai
Para assim pôr termo a esta Ciranda,
A Ciranda da Trindade,
Para outra Ciranda começar.
Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar...
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Outra pessoa
As pessoas querem que eu seja uma outra pessoa. Mas como ser uma outra pessoa se sou esta pessoa? Não posso ser outra pessoa. Sou feliz sendo esta pessoa. Acho que as pessoas não são felizes sendo as pessoas que são, por isso querem que as outras pessoas sejam outras pessoas. Ah, pessoas, como deve ser difícil viver querendo ser outra pessoa. Como deve ser difícil jogar no lixo o molde da Criação. Molde único. Molde pessoal. Molde de ser pessoa. Não quero isso pra mim.
Quero apenas ser renovado todos os dias, sem deixar de ser quem sou, por Aquele que consegue ser três Pessoas. Ah, e que Pessoas! Pessoa Criadora. Pessoa Salvadora. Pessoa Santificadora. Eu, primeira pessoa do singular, pessoa criatura da Criação, quero apenas acolher a graça do ser, para que, sendo quem sou, possa vir a ser imagem e semelhança dAquele que É.
Quero apenas ser renovado todos os dias, sem deixar de ser quem sou, por Aquele que consegue ser três Pessoas. Ah, e que Pessoas! Pessoa Criadora. Pessoa Salvadora. Pessoa Santificadora. Eu, primeira pessoa do singular, pessoa criatura da Criação, quero apenas acolher a graça do ser, para que, sendo quem sou, possa vir a ser imagem e semelhança dAquele que É.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Fila
Eis a fila
Fila dos Filhos
Fila dos Irmãos
Fila dos Cristãos
Fila da Salvação.
Antes, a fila da Confissão
Fila da Reconciliação
Fila do Perdão
Agora, a fila do Encontro
E que Encontro!
E vai andando
Lentamente
Pés no chão
Cabeças no Céu
Corações nEle, dEle.
A música tocando
Docemente
Olhos abertos
Olhos fechados
Mãos em ombros.
Chegou a hora
Coração palpitante
Ministro à frente
E Ele, ah, Ele!
O Corpo de Cristo!
Amém!
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Murmuração
Não, não dá. Vou desistir. As filas estão imensas! E por que fila? Não tem outro jeito? Por que não vem até nós? Detesto filas. Ainda mais quando são assim, enormes. E são duas! A da direita? Ou a da esquerda? Qual escolho? Ah, não quero nenhuma! Quero ir embora! Não, quero ficar. Ir embora nesta hora não me daria paz. Chegaria em casa arrependido. Não quero fazer algo que me leve ao arrependimento depois. Já me arrependi de tantas coisas nestes últimos dias. Por sinal, foram estes arrependimentos que me ajudaram a conquistar o direito de estar aqui. Vou ficar. E se eu fingir que estou sentindo alguma dor e tentasse tomar a frente das pessoas? Não, que feio! Também me arrependeria por isso. Me arrependo até de pensar nisso. Desculpa, Senhor.
Tá bom, escolho a da esquerda. Ei, por que a da direita está andando mais rápido? Escolhi a fila errada, como sempre! Essa fila não anda? Deve ser aquela mesma velhinha da semana passada. Ela demora muito! Deveria existir uma fila preferencial, só para velhinhos. Não, acho que não é ela. Nossa, a fila tá tão grande que não consigo nem ver quem está lá na frente! Por que as pessoas demoram tanto? É tão fácil! Tão simples! Chega, recebe e pronto! Sai da fila! Ah, meu Deus, o que estou fazendo? Estou murmurando! Até aqui, Pai! Que miséria essa minha! Murmurar é pecado. E agora? Pequei, Senhor. O que fazer? A fila anda. Já começo a escutar o sacerdote anunciando o Teu Corpo. Devo prosseguir? Devo dizer o tão esperado "Amém" e Te receber? Ah, Jesus, que dúvida! Por que murmuro tanto? Jesus? Pode me responder? Nossa, esse padre é tão antipático!
Tá bom, escolho a da esquerda. Ei, por que a da direita está andando mais rápido? Escolhi a fila errada, como sempre! Essa fila não anda? Deve ser aquela mesma velhinha da semana passada. Ela demora muito! Deveria existir uma fila preferencial, só para velhinhos. Não, acho que não é ela. Nossa, a fila tá tão grande que não consigo nem ver quem está lá na frente! Por que as pessoas demoram tanto? É tão fácil! Tão simples! Chega, recebe e pronto! Sai da fila! Ah, meu Deus, o que estou fazendo? Estou murmurando! Até aqui, Pai! Que miséria essa minha! Murmurar é pecado. E agora? Pequei, Senhor. O que fazer? A fila anda. Já começo a escutar o sacerdote anunciando o Teu Corpo. Devo prosseguir? Devo dizer o tão esperado "Amém" e Te receber? Ah, Jesus, que dúvida! Por que murmuro tanto? Jesus? Pode me responder? Nossa, esse padre é tão antipático!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Chão
É, dessa vez demorou, mas veio. A queda veio. Pois é, caí. De novo! E que bom que caí, pois quando caio, me aproximo do chão. E no chão, percebo que não é bom estar no chão. De pé, não temos esta percepção. Somente quando estamos lá, com o nariz no chão. Nossa, como é ruim o cheiro do chão! Mesmo os mais limpinhos, recém-perfumados com aqueles produtos de limpeza de cores chamativas. Aqueles com cheirinho de lavanda.
Não nasci pra ficar com o nariz no chão. Ninguém nasceu pra ficar com o nariz no chão. Somente os cachorros nasceram pra ficar com o nariz no chão. Não sou um cachorro. Sou um homem. Sou filho do Homem. E assumindo essa condição, vou me levantar. Vou tirar o nariz do chão. Vou voltar a ficar de pé. Como? Ah, confissão! Reconciliação! Salvação! Chão? Não, não preciso dessa rima. É na Salvação que essa história termina.
Não nasci pra ficar com o nariz no chão. Ninguém nasceu pra ficar com o nariz no chão. Somente os cachorros nasceram pra ficar com o nariz no chão. Não sou um cachorro. Sou um homem. Sou filho do Homem. E assumindo essa condição, vou me levantar. Vou tirar o nariz do chão. Vou voltar a ficar de pé. Como? Ah, confissão! Reconciliação! Salvação! Chão? Não, não preciso dessa rima. É na Salvação que essa história termina.
Às Paredes
É, paredes, o dia chegou ao fim. É hora de partir. E digo: Adeus! Ah, Deus! Bendito seja pelas paredes! Acho que foi por isso que o Senhor fez o homem do barro. Para que fosse semelhante às paredes. Paredes que me fazem companhia, que me acolhem, que me entendem. Agora, no derradeiro momento da minha presença, me volto a vós, paredes, e me derramo em despedidas. Ansioso por ir, pois estou cansado. Vou ao encontro de outras paredes, as paredes do descansar. Amanhã, estarei aqui, pra me cansar. Novamente estarei diante de vossa companhia e, no derradeiro momento do amanhã, direi: Adeus! Ah, Deus!
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