domingo, 5 de dezembro de 2010

Formiga









Que bicho é esse
Que paira sobre a minha cabeça?
Será uma idéia
Querendo sair?

É só uma formiga
Que asas criou
Anúncio de chuva
Pra um sertão que já secou.

Ó formiga amiga,
Com asas agraciada
Quem foi que te deu?
Foi o pássaro ferido?
Ou foi graça alcançada?

Ah, formiga amiga
Intercede por mim
Pra que eu também crie asas
E voe contigo
Sobre as cabeças que não tem nada.

Herói

Hoje acordei com sede de salvar o mundo. De levantar da cama num salto, vestir uma capa vermelha e riscar os céus em altíssimas velocidades, em busca das vítimas indefesas das intempéries da humanidade.

Mas não tenho super poderes. Não sei voar. Não alcanço grandes velocidades. No máximo uma corridinha. Breve, sem exageros. O médico disse que não posso abusar. A hipertensão que recebi de herança já bate à minha porta.

Também não tenho capa, nem máscaras. Não sou um super herói. Sou, no máximo, um herói. Anônimo. Igual a tantos outros por aí. Sem capas. Sem máscaras. Mas com um desejo ardente de ajudar, de lutar, de salvar.

E vou ajudar, vou lutar, vou salvar, armado com papel, caneta e com a força da palavra. Conto com o auxílio da Graça, que me torna super. Com Ela, posso voar, posso chegar às enormes distâncias. Posso, até, penetrar a mais intransponível das fortalezas: o coração do homem.

Convoco agora todos os heróis espalhados pelo mundo a lutar. E começo esta luta dizendo: Hoje acordei com sede de salvar o mundo...

Salvação

* A Amanda












Naquele tempo, a Salvação entrou no mundo
Na forma de um Menino,
Por meio de uma Mulher.
Naquele dia, a Salvação entrou no meu mundo
Na forma de um Menino,
Por meio de uma mulher.

Naquele tempo, o Menino cresceu
Apareceu, pregou, curou, transformou, renovou,
Amou! E por amor, se entregou
Numa Cruz pereceu
E numa Luz renasceu
Para nunca mais perecer
O Menino chamado Amor.

A partir daquele dia, o Menino cresceu,
Apareceu, caminhou, curou, transformou, renovou
Nas asas de uma borboleta se confirmou
De uma Cruz nasceu
Em sua Luz se fortaleceu
Para nunca mais perecer
O Menino chamado Amor.

Hoje, o Menino adulto
Nos conduz nos caminhos do namoro maduro
Dando à mulher, sua genitora, a graça de ser Maria
E a mim, o pai adotivo, a graça de ser José.
E a esta mulher, presente do Menino,
Companheira para toda uma vida,
Dedico uma imensidão de agradecimentos.

E dessa lista interminável de obrigados,
Respeitando a cronologia dos fatos,
Escrevo a ladainha abaixo:

Obrigado por ser desconhecida,
Obrigado por ser conhecida,
Obrigado por ser amiga,
Obrigado por ser caminhante,
Obrigado por ser borboleta,
Obrigado por ser namorada,
Obrigado por ser Maria,
Obrigado por ser Jesus,
Obrigado por ser Salvação,
Obrigado por ser amada,
Obrigado por ser Amanda.

Partida











É chegada a hora,
O último pau-de-arara vai partir. 
Tristeza para os que ficam,
Alegria para os que vão. 

Aos que ficam, como eu, 
Que possamos chorar a dor da saudade. 
Mas que esta dor não se perpetue. 
Que possamos chorar no tempo que é para chorar 
E sorrir no tempo que é para sorrir. 
Afinal, devemos nos alegrar com a felicidade dos que vão. 

Que a tristeza, provocada pela dor da saudade, 
Não nos esconda esta realidade: 
Eles vão felizes, a Casa, a Pátria, a Deus, Adeus!

Praia










Vi uma praia,
A minha praia.
Vi Cristo sorrindo, 
De braços abertos, 
Olhando para mim. 

Ele me abraçou 
E me mostrou, 
Atrás dEle, 
Na areia da praia, 
Um parágrafo, 
O começo de minha história a partir de então. 

Estava em letras graudas, 
Mas não consegui ler o que estava escrito.
Preocupei-me com as ondas
Obstinadas a apagar tudo.

Para meu consolo,
Jesus disse:
Filho, te preocupas em vão,
Tua história está gravada em meu coração.

Suave Presença

Onde está o meu coração? Está em Jesus, está em Maria. Sob os cuidados dos dois. Minha vontade humana é de abandonar tudo. De largar tudo. De ir embora. Viver no meio dos outros está sendo muito difícil. Não consigo sentir nada. 

Mas algo me impede de ir. Sei que neste meu momento de fraqueza, a Graça de Deus abunda em mim, através do Coração de Jesus e da presença constante da Mãe.

E, falando nela, sua doce companhia nunca foi tão sentida. A Mãe que me conduz ao Filho. A Mãe que me protege do leão que me cerca, querendo aproveitar-se de meu momento de fraqueza. É principalmente através dela que a Graça chega nestes tempos ao meu coração. Ela, que neste momento está ao meu lado, sentada neste banco, afagando minha cabeça por meio do vento que bagunça os meus cabelos. Suave presença que me faz chorar. Canal de Graça que Deus usa hoje para chegar ao meu coração. Caminho de Graça que me leva ao Seu Coração.

Anjo












Vi um anjo
Muito alto
Manto longo
Asas enormes
Cabelos compridos. 

Eu estava numa clareira
Ele descia dos céus na minha frente
Possuía uma espada na mão direita 
E queria dar-me algo. 

Despertava em mim um grande temor 
Imponente
Radiante
Grandioso.

O que me deu?
O que recebi?
Ainda não sei
Procuro descobrir.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ciranda (da Trindade)












No princípio de tudo, o Pai criou tudo
Inclusive nós, que achamos que somos tudo
E fazemos de tudo para termos tudo
Esquecendo-nos que somente o Pai é Tudo
E que tudo é do Pai.

Na plenitude dos tempos
O Pai, que é Tudo, nos enviou o seu Filho,
Que é Único, que é Tudo,
Pra nos mostrar que só o Pai é Tudo
E que o nosso tudo é nada, sem o Pai.

Nós, cheios de tudo,
Não reconhecemos o Filho,
Que é Pleno, que é Tudo,
Achando que Ele não fosse nada
E que nada poderia fazer por nós.

Ele, cheio de Tudo,
Fez-se um Nada,
Para nos ensinar
Que é preciso ser um nada
Para se chegar ao Tudo.

O Filho, sendo um Nada,
Entregou-se àqueles
Que se achavam um tudo,
Obedecendo a vontade do Tudo,
Para salvar a todos.

E como um Nada, morreu numa Cruz
No meio dos que não eram nada
E como um Tudo, venceu a morte
Ressuscitando e aparecendo aos poucos
Que O reconheceram como o Tudo.

Subiu aos Céus, está com o Pai
E enviou o seu Espírito,
Que é Santo, Que é Tudo,
Para nos ensinar a sermos santos,
Sendo nada, conquistando assim o Tudo.

E na nova plenitude dos tempos,
Quando o tudo virar nada,
O Filho voltará, com a Glória do Pai
Para assim pôr termo a esta Ciranda,
A Ciranda da Trindade,
Para outra Ciranda começar.

Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Outra pessoa

As pessoas querem que eu seja uma outra pessoa. Mas como ser uma outra pessoa se sou esta pessoa? Não posso ser outra pessoa. Sou feliz sendo esta pessoa. Acho que as pessoas não são felizes sendo as pessoas que são, por isso querem que as outras pessoas sejam outras pessoas. Ah, pessoas, como deve ser difícil viver querendo ser outra pessoa. Como deve ser difícil jogar no lixo o molde da Criação. Molde único. Molde pessoal. Molde de ser pessoa. Não quero isso pra mim.

Quero apenas ser renovado todos os dias, sem deixar de ser quem sou, por Aquele que consegue ser três Pessoas. Ah, e que Pessoas! Pessoa Criadora. Pessoa Salvadora. Pessoa Santificadora. Eu, primeira pessoa do singular, pessoa criatura da Criação, quero apenas acolher a graça do ser, para que, sendo quem sou, possa vir a ser imagem e semelhança dAquele que É.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Fila









Eis a fila
Fila dos Filhos
Fila dos Irmãos
Fila dos Cristãos
Fila da Salvação.

Antes, a fila da Confissão
Fila da Reconciliação
Fila do Perdão
Agora, a fila do Encontro
E que Encontro!

E vai andando
Lentamente
Pés no chão
Cabeças no Céu
Corações nEle, dEle.

A música tocando
Docemente
Olhos abertos
Olhos fechados
Mãos em ombros.

Chegou a hora
Coração palpitante
Ministro à frente
E Ele, ah, Ele!
O Corpo de Cristo!
Amém!