sábado, 15 de janeiro de 2011

Flor do Ano












Às margens de um rio de Janeiro nasceu,
No Carnaval de Fevereiro cresceu,
E um Março de folhas logo apareceu.
Quando ninguém viu,
Uma flor então se Abril.

Em Maio ficou maior
E com Junho namorou,
Mas foi com Julho que se casou,
Pra Agosto do beija-flor,
Do rapaz, um admirador.

Em Setembro gineceu,
Em Outubro pólen deu,
Em Novembro sementeu,
E em Dezembro o Menino nasceu,
Pra iluminar o jardim meu.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DES












Desentendimentos,
Desavenças,
Desilusões,
Desconsolos,
Desenganos,
Desencontros.
E nos desencontros da vida, encontrei-me com a Graça,
Que me ensinou a tirar o DES das desgraças para ficar
Apenas com o que restou.
E como é bom o que restou!

O que não restou:
Descarrilou,
Desmembrou,
Desmontou,
Desmoronou,
Despencou no abismo do desconhecido,
Onde reina o desapego e onde dormem, eternamente,
As descontroladas desesperanças.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Poço











Oh, poço, querido poço
Por que teimo em te perseguir?
Quanto mais Jesus me tira,
Tanto mais insisto em cair.

Se ao menos tivesse água
Para minha sede aplacar.
Mas só tens tuas securas
Para minhas infelicidades saciar.

Ah, amigo poço,
Um dia tu irás ver:
Vou armar-me com uma pá
Para tua boca poder fechar.

Assim, de boca fechada,
Não poderás mais engolir
Este pobre, que tanto sofre,
Com os mergulhos que dá em ti.

Reis










Um rei,
Dois reis,
Três reis,
Magos reis.

Rei do ouro,
Rei do incenso,
Rei da mirra,
Presentes de reis.

Rei de Manjedoura,
Rei de Cruz,
Rei de Luz,
Rei Jesus,
Rei dos reis.

“Deus vos salve casa santa
Aonde Deus fez a morada.”

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Descoberta

O ser humano passa a vida toda
Tentando descobrir quem realmente é.
Uns desistem no meio do percurso,
Outros vão até o fim.

Eu, não diferente do normal,
Também participo desta luta.
E nesta bendita peleja,
Nesta bendita sina,
Nesta bendita labuta,
Deus colocou em meu caminho
Benditas pessoas

Que, sem perceber,
Me ajudaram a descobrir e
A colocar no papel
O projeto do que sou:

Filho do Alto por vocação,
Analista por profissão,
Escrevedor por missão,
Poeta, quem sabe um dia, com o auxílio da Unção.

Marias em Maria

* A minha Mãe










Maria de Raimundo
Maria de Maria
Maria de Quitéria
Maria de Rosa
Maria de Zulmira

Maria de Chico
Maria de Antônio
Fá de Lúcia
Maria de Nelson
Maria de Jacinta
Maria de Paulo
Maria de Sâmia

Maria de Brasão
Maria de Vânia
Maria de Chico Braga
Maria de Mariinha
Maria da Tapera
Maria de Icapuí

Maria Normalista
Maria da Farmácia
Maria do Cantinho

Maria de Enxaquecas
Maria de Coração
Maria de Coluna
Maria de Redução

Maria de Altos
Maria de Baixos
Maria de Lutas
Maria de Dores

Maria de Graças
Maria de Conquistas
Maria de Alegrias
Maria de Vitórias

Maria de Nivaldo
Maria de Alexandre
Maria de Karla
Mainha do Leo.

É tanta Maria,
Meu Deus do Céu!
Só o Senhor
Pra juntar todas
Em uma só:
Maria de Fátima,
Minha Mãe.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Terço














Creio na mudança do mundo.
Ah, Pai nosso que estais no Céu,
Como creio!
Ave Maria, Deus irá renovar!
Ah, Mãezinha, Jesus irá salvar!
Santa Maria, o Espírito Santo irá santificar!
Oh, Glória!

Contemplaremos a anunciação da Boa Nova,
A ressurreição das esperanças,
O batismo dos Filhos do Alto.
Oh, Pai nosso!
Ave Maria!
Glória à Santíssima Trindade!

Contemplaremos a visita da Graça,
A ascensão de nossas orações,
A transformação da água em Vinho da Vida.
Ah, Santificado seja Vosso Nome!
Ah, Cheia de Graça!
Como era no princípio, agora e para sempre!

Contemplaremos o nascimento de um Novo Tempo,
A vinda do Santo Espírito,
O anúncio do Reino.
E que venha a nós o Vosso Reino!
O Senhor é convosco, Mãe!
Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, Glória!

Contemplaremos a apresentação do Menino,
A assunção da Bem Aventurada,
O corpo glorioso do nosso Salvador.
Seja feita a Vossa vontade!
Bendita sois vós entre as mulheres, Maria!
Pelos séculos dos séculos, Glória!

Contemplaremos o encontro com o Redentor,
A majestade da Virgem,
O Corpo e o Sangue oferecido por nós.
O Pão nosso de cada dia!
Bendito é o fruto do vosso ventre, oh Mãezinha!
Glória no mais alto dos Céus!

E no fim de todos os mistérios,
Gozosos, Gloriosos e Luminosos,
Os Dolorosos não mais existirão
Infinitas graças daremos a vós, Soberana Mulher
Por tua poderosa intercessão!
Salve, oh Rainha, Mãe de Misericórdia!
Um Novo Mundo, um Novo Tempo!
Amém!

Sopa












Panela, de barro, pra ficar original
Coloque água
Ou melhor, Água, com "A" maiúsculo
Sem Água, não dá!
Agora vamos aos ingredientes:

Alho, cebola, pimenta,
Cheiro verde, coentro e Sal da Terra.
Não exagere neste último, cuidado com a pressão!
Coloque uns fachos de Luz do Mundo e pronto,
Tá feita a base!

Adicione batata,
Cenoura e abóbora.
Um pouquinho de chuchu, não gosto muito.
"M" de Maria, de Mãe,
Nunca é demais.

"J" para não esquecer o Jejum,
"E" para o Espírito,
"S" para o Santo,
"U" para a Unção,
"S", mais um, agora para a Salvação.

Não leva carne,
Esqueça o que passou.
Livre-se das tentações e das paixões mundanas,
Não entram nesta receita.
No lugar, uma pitada de Cruz, pra engrossar o caldo.

E se no meio do preparo sentir sono,
Não desista, persevere!
Coloque um pouco de "h" no sono pra termos um sonho
E com mais um "s" podemos ter muitos sonhos!
Sonhar cai bem em qualquer receita!

Mexa rezando o terço,
Pra ficar cheia de Graça.
Após a Salve-Rainha,
Deixe em Fogo Alto e tenha paciência
Vai ficar pronta no tempo do Senhor!

Sirva bem quente
Morna, não dá!
Pão para acompanhar,
Redondinho, Branquinho
E não precisa abençoar
Já tá abençoada!

Bom apetite!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Vida












Esse tempo,
Esse Vento,
Esse banco,
Esses passarinhos...
Ah, como é bom viver assim!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Andanças











O Sol nasce forte, majestoso.
O vento sopra rumo Leste.
E meu barco segue nesta direção.
Cheiro bom de mar.

Navego tanto para o Leste
Que alcanço o Oeste.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete...
Nem sei quantos mares atravesso.

Sem perceber, desenho a linha do Equador.
Terras médias, pequenas e grandes,
Lares, ruas e bares.
Muitas pessoas conheço:
Mocinhos e vilões,
Monstros e aberrações.
Espadas, escudos, canhões,
Guerra e Paz!
Ah, como é bom virar a página!

No mundo mundo vasto mundo drummondiano vou passando,
Clariciando as idéias,
Quintanando a alma,
Hasteando bandeiras manuelais,
Afernandando pessoais,
Viniciando as morais e o Moraes,
Até chegar as Minas da imaginação,
Ou quem sabe as Gerais adeliais,
Apanhando, com mãos secas, cacos de vitrais.

Entrando em clima de oração,
Me transporto a Terra Santa,
Santa Terra que encanta.
Terra de Maria e de José.
Terra de uma Cruz que se levanta
E de outras que declinam.
Terei eu vindo buscar a minha?
Não importa.
Basta o Jesus que me ama.

Leitura, Meditação, Oração, Contemplação,
Lectio divina e humana.
Sagradas escrituras,
Terrenas aventuras.

E depois de todas estas andanças,
Olho para o relógio e tomo um susto!
Fecho agora o livro e apago a luz.
Hora de dormir,
Amanhã tenho que acordar cedo.
Boa noite!