quarta-feira, 20 de julho de 2011

Alto



Subi ao alto cume
da montanha mais alta,
em busca do Perfume que exala
do alto das nuvens mais altas.

Procurava nas alturas
um altar pra Te respirar
e estavas bem aqui, tão Alto,
nas alturas do meu pensar.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Amigo

De braços dados contigo,
querido amigo,
enfrento o tenebroso abismo,
para os incautos, um atrativo.

Após um profundo suspiro,
o salto eu arrisco,
no rosto um sorriso
e no peito um alívio.

Descubro que voar eu consigo,
com as asas do amigo,
por cima do perigo
e das garras do inimigo.

Na direção do Infinito,
no ar eu prossigo,
com o coração tranquilo
nas asas do amigo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Discernimento (Quebra-cabeça)

Muitas peças sobre a mesa,
frutos das Mãos da Suprema Beleza.
Nada que impeça uma humana proeza,
com o Auxílio Divino da Divina Esperteza.

Uma passagem, uma música,
uma Missa, uma reza.
Minúsculas gotas da Infinita Represa,
derramadas em doses de sagrada clareza.

E de posse de tais singelas surpresas,
plantadas por Vossa Magnífica Alteza,
aqui prosseguimos, quebrando a cabeça,
até que a Graça desça e a Verdade enfim apareça.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Loucura

Atenção! O Louco está à solta! E vem despejando loucamente água e sangue que jorram, incessantemente, do seu Louco Coração transpassado.

Fujam, fujam ao encontro dEle, o mais rápido que puderem! Corram! Não sejam loucos ficando exatamente onde estão! Não há loucura maior do que a de permanecer estancado em uma vida de loucuras! Desviem das loucas e barulhentas sirenes das ambulâncias encardidas que tentam barrar este louco encontro!

Corram, corram! Por que ainda estão aí parados, lendo? Já não estou mais aqui escrevendo estas palavras! Já foram escritas! Por agora, estou nos braços dEle! Já corri! Fugi! Fui ao encontro dAquele que saiu do hospício da vida e adentrou no Divino Hospício da Eternidade, rasgando para sempre a negra camisa de força da morte. Levantem-se!

E quando acharem-nO, abracem-nO, beijem-nO, adorem-nO! Oh, Santa Loucura! Aprendam com Ele a louca arte que é o Amar!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Resistência

Chegaste mais uma vez, oh Noite, e faz tão pouco tempo que tu embora foste.

Logo agora em que me banhava com o Sol, sem nenhuma proteção, pois queria enfeitar-me com a mais pura Insolação.

Por que voltaste tão rápido, oh deserto tão árido?

Se foi por saudades minhas, saibas que saudades de ti não tinha.

Se foi para educar-me, saibas que estou de férias e não quero por agora estudar.

Se foi para namorar-me, sinto muito, já estou enamorado, procure um outro par.

E se foi para escurecer-me, desculpe, volte outro dia. E volte de dia, para que o Sol possa conhecer-te.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Voz

Que Voz é essa que vive dentro de mim?

Cria-me, Voz, pois és a única Voz que pode, pela Força de Tuas Palavras, do nada tudo criar.

Forma-me, quando do nada me tiveres tirado e em estatura, Sabedoria e Graça faz-me crescer.

Canta e encanta o meu ser que já não canta, pois se encantou com os cantos que impedem de a Ti cantar.

Fala ao meu desenfreado querer todas as Bem-aventuranças que provêm do Teu supremo Querer.

Grita e ecoa pelas cavidades ocas da alma que insiste em preencher-se com o nada que a vida com "v" minúsculo teima em oferecer.

Cala-Te diante das minhas faltas, pois o Silêncio de Tua desaprovação é o deserto que preciso viver para voltar a Te escutar e Te obedecer.

Chama-me, quando o doce som de Teus Santos Lábios eu voltar a ouvir.

E quando enfim voltar a Te ouvir, no baú dos teus verbos vou querer mergulhar, para buscar o "Viver", o "Criar", o "Formar", o "Crescer", o "Cantar", o "Encantar", o "Contemplar", o "Ser", o "Falar", o "Querer", o "Gritar", o "Ecoar", o "Preencher", o "Oferecer", o "Calar", o "Escutar", o "Obedecer", o "Chamar" e o tão sonhado "Guiar". E ao encontrar este último, guia-me, Voz, ao Verbo que se fez carne para nos ensinar o Verdadeiro e único sentido do divino verbo "Amar".

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mudança

Cansado de uma vida de andanças
e deste imenso redil de inseguranças,
declaro aos regentes desta dança: estou de mudança!

Ponho nas costas a mochila da esperança,
carregada com minhas melhores lembranças
e com uma sutil e inexplicável Confiança.

Parto em busca de uma herança
que sei, tenho direito, desde a mais tenra infância
e que não é só mais um sonho de uma sonhadora criança.

Lanço-me no caminho que quase ninguém se lança
por medo, orgulho ou falta de temperança
ou por qualquer outro motivo que me foge a lembrança.

E eis que surge, em forma de Homem, a referida Confiança
trajando um manto branco, portando um cajado e falando bem calmo:
Quero restabelecer contigo uma antiga Aliança!

Fitando-me nos olhos, continuou a falar:
Eu Sou o que Sou, eterna Bonança, infinita Segurança
e tu és a minha tão sublime Imagem e Semelhança.

Esqueça, a partir de agora, os antigos versos,
as velhas estrofes e as más palavras que te afligem ainda.
Na poesia da tua Vida, deixa que Eu faço a rima:

Vou te guiar a um Lugar,
sua morada lá será,
siga os meus passos e juntos vamos chegar.

Chamando-me pelo nome, pôs-se a caminhar
e eu, ouvindo a Sua Voz, deixei-O me levar,
como uma ovelha, tão dependente, ansiosa para pastar.

Enfim, chegamos ao tal Lugar. Deixando-me descansar, pôs-se a falar:
Meu filho, aqui não há dor, não há temor, não há desamor.
Aqui, minha querida ovelha, é o coração do Bom Pastor!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Volta


Voltando de uma das voltas das loucas voltas que a vida dá,
volto-me Àquele que está sempre voltado para os filhos,
sem importar-se com as tresloucadas voltas que voltamos a dar.

E nesta reviravolta em que volto a viver com o Cristo envolto,
deixando de viver uma vida de revoltas,
volto a sonhar com o dia da minha volta à Divina Casa, para de lá nunca mais voltar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ama

Ave, plena da Unção,
digo eu que não sou um anjo,
mas admiro a tão sagrada Saudação!

Ama de leite dos Filhos do Alto,
livrai-nos dos percalços deste mundo de muitos laços
e conduz-nos aos Braços do nosso Cristo, teu Regaço.

Ama que ama e que,
de tanto amar, deixa de ser uma simples ama
e torna-se a Mãe que tanto ama. Eis aí a nossa Mãe!

Ventre da Unção,
Morada santa do Divino Embrião,
Berço solene da nossa Salvação.

Ave, plena dos mais sublimes Apelidos,
Nossa Senhora, Cheia de Graça, Onipotência Suplicante,
Virgem Mãe, Mãezinha do Céu, Mãe, Maria de Nazaré, Maria de todos nós!

domingo, 19 de junho de 2011

Parque de Emoções

Deitado sobre o colchão de emoções,
ergo os braços aos céus e tento puxar as nuvens como se fossem doces algodões,
prontos para adocicar as infantis aspirações.

Mas não são os algodões que minha alma infante realmente anseia,
e sim a Eterna Doçura
que está por sobre a Celeste areia.

Corro para o carrossel das ilusões e,
nas voltas que ele dá, caio dos belos alazões
desprovidos de arreios e das demais sustentações.

E desviando do restante da manada,
subo a russa montanha
buscando uma visão privilegiada da Santa Morada.

Mas quando atinjo o cume, carros alucinados me lançam ladeira abaixo,
fazendo loucos traçados, deixando-me enjoado,
com a vida de cabeça para baixo.

Vejo então, com olhos de criança, 
a gigante roda e animo-me,
pois me faz lembrar a eterna Aliança.

Tomo então assento na referida estrutura
e rapidamente alcanço
as sonhadas Alturas.

Mas com raiva então eu choro
quando a roda roda
e ao solo eu retorno.

E ainda aos prantos,
a dolorida pergunta eu lanço:
Por que o Céu não alcanço?

Eis que surge o Dono do Parque,
com o rosto pintado, nariz de palhaço, em cada mão um buraco
e falando aos bocados:

Querida criança,
não perca a Esperança,
a vida é uma dança!

Tome o meu Braço,
segure o meu Laço,
siga os meus Passos.

E não se apresse.
Pra mim, o tempo não fenece.
Faça sua prece, ajude o que carece, ame o que não merece.

Assim, verás o Céu que não escurece,
o Parque que ninguém esquece
e a Vida que nunca envelhece.