Chega de luas minguadas
sombras e penumbras, que sejam rasgadas!
Retalhos de negros tecidos queimados pelo fogo que arde debaixo do monturo da casa
fogo que não se extingue!
Ô de casa...
Abre a porta pra Vida! Faz tempo que a pobre tá do lado de fora, levando sereno!
Entra, Vida, e estica as tuas canelas ressequidas!
Enxuga o teu rosto molhado.
Traz aí uma toalha, Maria!
Aquela azul!
Menino, eu quero é a Lua Cheia!
Refletir por inteiro a Luz do Astro adorado!
Iluminai-me!
sábado, 14 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Pressa
E em um segundo a humanidade quer resolver todos os seus problemas.
Por que não em um terceiro?
Ou em um quarto?
Neste último, a sós, retirada dos excessos de companhias, na companhia exclusiva da presença de espírito do Espírito.
Santo Espírito!
E por falar em último, os derradeiros terão sua vez!
Derradeiremos, pra embarcarmos no primeiro pau-de-arara!
Aquele que vai avoar!
Por que não em um terceiro?
Ou em um quarto?
Neste último, a sós, retirada dos excessos de companhias, na companhia exclusiva da presença de espírito do Espírito.
Santo Espírito!
E por falar em último, os derradeiros terão sua vez!
Derradeiremos, pra embarcarmos no primeiro pau-de-arara!
Aquele que vai avoar!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Envia-me
Envia-me, Senhor,
por este enorme oceano de intranquilidades,
assolado por tantos tufões e tempestades,
onde mergulham Teus Filhos de tão tenra idade.
Envia-me, Senhor,
nesta Santíssima Barca da Fraternidade,
levando a Palavra e remando com a Verdade,
guiado pelo leme da Tua Santa Vontade.
Envia-me, Senhor,
para lançar as redes sociais no lado correto,
fazendo com que elas sigam um caminho certo,
participando assim do Teu Divino Projeto.
Envia-me, Senhor,
para arrastar os grandes Peixes às ilhas digitais,
que contêm tantos jovens náufragos antissociais,
tão necessitados de Teus Cuidados Maternais.
Envia-me, Senhor,
para conter as drogas que avançam numa mancha
e o navio dos desejos que mina a esperança
da Juventude atada às festas da ignorância.
Envia-me, Senhor...
E na hora que a força me faltar para remar,
dá-me Fé para por sobre as águas caminhar,
para levar tantos irmãos ao Teu Sagrado Mar.
por este enorme oceano de intranquilidades,
assolado por tantos tufões e tempestades,
onde mergulham Teus Filhos de tão tenra idade.
Envia-me, Senhor,
nesta Santíssima Barca da Fraternidade,
levando a Palavra e remando com a Verdade,
guiado pelo leme da Tua Santa Vontade.
Envia-me, Senhor,
para lançar as redes sociais no lado correto,
fazendo com que elas sigam um caminho certo,
participando assim do Teu Divino Projeto.
Envia-me, Senhor,
para arrastar os grandes Peixes às ilhas digitais,
que contêm tantos jovens náufragos antissociais,
tão necessitados de Teus Cuidados Maternais.
Envia-me, Senhor,
para conter as drogas que avançam numa mancha
e o navio dos desejos que mina a esperança
da Juventude atada às festas da ignorância.
Envia-me, Senhor...
E na hora que a força me faltar para remar,
dá-me Fé para por sobre as águas caminhar,
para levar tantos irmãos ao Teu Sagrado Mar.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Partícula de Deus
Encontrei! Encontrei! Caríssimos amigos da comunidade científica, venho a público declarar a minha mais recente descoberta, que irá abalar os pilares da Ciência contemporânea: encontrei o famoso Bóson de Higgs, apelidado por vocês de "Partícula de Deus", biblicamente e popularmente conhecido como "Grão de Mostarda"! Isso mesmo, caríssimos! Eu o encontrei! E não precisei de nenhum acelerador de partículas! Precisei realizar apenas três singelos gestos: Coloquei os joelhos no chão, rezei e olhei para os jardins.
Olhem para os jardins, caros cientistas! Olhem para os jardins!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Véspera
Amanhã é o dia! Estou contando as horas. Da Anunciação do Anjo ao momento de agora, já se foram nove meses. Nove meses fazendo-Me pequeno no seio da Virgem, minha Mãe. Molde humano escolhido por meu Pai, para ceder-Me o sangue que correrá em minhas humanas veias. Molde, em forma de útero, que agora é casa de um Alguém que não cabe no Universo. Pai, como Tu és sábio!
Foram algumas semanas sentindo na pele, literalmente, a magnífica manifestação da vida, que explode por meio da dança das minúsculas estruturas celulares que se agrupam e se completam, movidas pela silenciosa canção da Criação. Canção entoada, constantemente, pelos divinos Pulmões.
Foram muitos dias despojando-Me de toda a Ciência, Sabedoria, Onipotência e Glória que Me são naturais. Trago apenas aquilo que todos têm em seu interior e que, infelizmente, tornou-se invisível a Humanidade, devido à ação destruidora do pecado: a Aliança com o Pai. Eu, que Sou a hermenêutica do Criador, faço-Me igual a tantos, para ensinar-lhes quem é o Amor!
Estou ansioso para vivenciar todas as etapas do desenvolvimento humano. Sentirei toda a graça que meu Pai concedeu aos Seus Filhos: a graça de ser criança, de ser jovem, de ser adulto. E sei que não será uma vida fácil, pois venho para sofrer, para apanhar, para chorar. Mas venho, acima de tudo, para amar, para salvar! Eis a minha divina Missão!
Agora, eis o momento! O divino relógio do Pai já marca o dia e a hora! Chegou a plenitude dos tempos! É amanhã! Amanhã, no alvorecer dos corações sofridos, em meio a sublime riqueza da pobreza, meu choro de criança ecoará pelo mundo! Amanhã, no silêncio das grutas-berçário, com o auxílio das humanas mãos do meu pai José, nascerei numa manjedoura!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Advento
Ela vem vindo! Levantou-se na plenitude dos tempos, despertada pelo Criador. Retirou o pó do deserto. Banhou-se na Fonte que não cessa de jorrar Água Viva. Enfeitou-se com o seu melhor vestido. Vestido de Festa. Longo. De uma brancura ímpar, em contraste com os seus belos negros cabelos estrelados. No alto da cabeça, prendendo o gracioso penteado feito pelos anjos, traz a diadema da Aurora, com uma grande e brilhante Estrela, que indica, com os seus fulgurantes raios, a direção do Grande Acontecimento.
Vem caminhando lentamente, desfilando na divina procissão do Advento, trazendo ternura e lágrimas aos corações humanos que a aguardam e que já sentem a sua silenciosa presença. Vem para repetir-se, como ocorre todos os anos, pela graça da extrapolação da dimensão do tempo, obra divina das mãos do Pai. E não vem só. Vem seguida pelos três companheiros, oriundos das mais distantes terras, que trazem presentes ao Anfitrião.
E chegará em breve, no final do entardecer, quando o Sol estender o tapete vermelho das boas-vindas. Vem se fazer presente nas inúmeras Beléns espalhadas pelo mundo. Nas inúmeras grutas-corações ansiosas pela Salvação. Os coros angelicais já se preparam para entoar os cantos de Glória. Ela está chegando! Ela, chamada Noite, a mais magnífica de todas as noites! A Noite que presenciou o maior de todos os acontecimentos que o mundo já viu! A Noite do Nascimento do nosso Menino Rei!
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Vida Inteligente
Procuram vida inteligente em outros planetas. Será que não encontramos mais nenhuma por aqui? Procuremos por aqui! Há tantas vidas inteligentes escondidas nas terras, nos mares, nos ares e, principalmente, nas praças, nas ruas, nos bares. Nos corações corroídos pelas tribulações do dia-a-dia. Nos Planetas-barrigas de tantas mães desesperadas que recorrem ao crime do aborto. Ventres cheios de vida. Cabeças cheias de nada. Ah, Senhor, vida inteligente que se perde, fruto da ignorância e da crueldade!
Tantos olhos voltados para o céu, tão ávidos pelo menor sinal de uma inteligência estrangeira! Oh, Pai, esquecem-se de contemplar o milagre que se derrama todos os dias, nas minúsculas gotas que transbordam da Tua sublime Criação. Vida que brota nos pés dos transeuntes que percorrem, desenfreadamente, este caminho tão corriqueiro e, ao mesmo tempo, tão desconhecido.
Olhemos para o céu sim, mas não em busca da inteligência, que já está dentro dos nossos bolsos, muito bem guardada e tão pouco utilizada. Mofada. Tomada pelo bolor dos percalços. Busquemos a Sabedoria, que habita as Altas Moradas, e que, por puro Amor, inclina-se dos altos galhos da Árvore da Vida, para se deixar alcançar por nossas pequenas e desleixadas mãos humanas.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Presente
O coração bate forte, acelerado! As mãos suam. A boca seca. Inquietação boa de criança que está prestes a receber o presente que viu escondido no guarda-roupa do quarto dos pais. A hora chegou! O embrulho será entregue.
Corro ao meu assento e finjo que de nada sei. Vejo o Pai aproximar-se com as mãos para trás, escondendo com o seu corpo o segredo que, em poucos minutos, será revelado. Ao lado dEle, vem a Mãe, disfarçando o doce sorriso de quem já sente a Felicidade transbordando das feições do Filho.
Após alguns poucos e compassados passos, dados neste tão longo corredor de esperas que separa o quarto da sala onde estou, os dois finalmente chegam e colocam-se a minha frente. Lado a lado. Serenos. O Pai, com seu Divino sorriso nos lábios, passa o presente a Mãe, que o recebe e já estende, sem demoras, suas humanas mãos em minha direção.
Recebo o tão aguardado embrulho. Pequenino, enrolado em papel azul de forma simples. Azul da cor de um certo Manto. Santo Manto! Com uma fitinha vermelha envolvendo-o. E a cor desta última? Ah, lembra o vermelho vivo do Sangue que brota de um Coração que não se cansa de amar! Detalhes preciosos deste pequeno ato. Caprichos da Divina Simplicidade!
A Felicidade, digna de qualquer criança nestes sublimes momentos, me impulsiona a rasgar por completo o pacote. Rapidamente, à medida que os pedaços de papel voam pelo ar, o que estava escondido vai revelando-se, em raios de uma luminosidade incrível. Tomo então conhecimento do presente! É tão pequeno e tão completo. Tão pedido e tão aguardado. De asas pequenas, penas brancas e brilhantes, eis a minha sublime prenda, chamada Graça!
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Luta
Chamo-me Dom Fulano de La Mancha, o mais excêntrico cavaleiro do Exército de Vossa Alteza! Afamado. Calejado na Divina Arte de derrubar Gigantes! E eis-me aqui, cansado, esbaforido, para pedir-Te: Retirai de mim estas manchas, Senhor! Apartai de mim este sobrenome manchado. Soprai da minha frente estes estranhos gigantes que insistem em triturar minhas esperanças!
Ajudai-me, oh Santo Escudeiro! Os Sanchos se foram, engolidos pelas páginas amareladas dos velhos livros, devoradas pelas traças da realidade. E agora, estes terríveis insetos voltam-se a mim, querendo engolir minhas páginas tão cheias de lutas, consideradas irreais por este mundo louco.
Vou seguindo a pé, Senhor, pois meu pobre alazão também me deixou. E sigo ainda vestido com a Armadura que me deste, apesar desta estar também manchada: Encouraçado de Justiça, cingido com a Verdade, calçado para anunciar o Evangelho pelos mais distantes reinos. Na mão esquerda, o escudo da Fé, na mão direita, a lança do Espírito. E na cabeça, o capacete da Salvação.
Retirai de mim estas manchas, Senhor, mais uma vez peço-Te! E impulsionai-me adiante, oh Brisa suave soprada pelos Santos Lábios, provinda dos Puros Pulmões que enchem e secam sem cessar, em favor da Redenção da Humanidade, neste profundo e contínuo suspiro de Amor, para que eu vença a luta de todas as lutas, a conquista do Céu!
Novelo
Desvelo o novelo e
a novela da minha vida
se desfaz em fiapos,
lançados ao ar.
Fios de ouro,
de prata
e de algodão.
Fios de trapos
e de farrapos.
Fios que caem no chão.
E são recolhidos
e transportados
pelo Vento que vela
os fios desvelados
de tantos novelos,
soltos por este mundo novelesco.
a novela da minha vida
se desfaz em fiapos,
lançados ao ar.
Fios de ouro,
de prata
e de algodão.
Fios de trapos
e de farrapos.
Fios que caem no chão.
E são recolhidos
e transportados
pelo Vento que vela
os fios desvelados
de tantos novelos,
soltos por este mundo novelesco.
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