Ora se não é o Arcanjo Miguel!
O que veio fazer por aqui, anjo fiel?
Perdeu a condução que conduz as almas para o céu?
Ou veio recrutar recrutas para o vosso plantel?
Por que está me olhando assim, ser alado?
Acaso veio ser o meu advogado?
Ou serei eu um dos recrutas recrutados?
Seja o que for, anjo amado,
não me deixe por tanto tempo assim, angustiado,
e me diga, por que está me olhando assim, com tanto agrado?
terça-feira, 6 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Avoador
Quando era menino, sonhava em avoar.
Um dia, o Pardal levou-me para o Alto do cajueiro,
colocou duas folhas nas minhas costas e disse:
"Bate as folhas e avoa, menino!"
Avoei, espalhando cheiro de caju pelo mundo.
Nunca mais quis pousar.
Bicho simples é Pardal!
Menino também!
E eu pensava que homem não sabia avoar.
Sabe mesmo não.
Homem não tem pena.
Menino tem pena e folha.
E oiça pra escutar o Pardal.
Menino é pequeno na terra dos Homens,
mas é grande no Reino dos Pardais.
Um dia, o Pardal levou-me para o Alto do cajueiro,
colocou duas folhas nas minhas costas e disse:
"Bate as folhas e avoa, menino!"
Avoei, espalhando cheiro de caju pelo mundo.
Nunca mais quis pousar.
Bicho simples é Pardal!
Menino também!
E eu pensava que homem não sabia avoar.
Sabe mesmo não.
Homem não tem pena.
Menino tem pena e folha.
E oiça pra escutar o Pardal.
Menino é pequeno na terra dos Homens,
mas é grande no Reino dos Pardais.
domingo, 4 de março de 2012
Transfiguração
Subi no alto da montanha e transfigurei-me.
A calça jeans resplandeceu de alumiação!
Tendas, pra quê?
Tendo eu o Céu totalmente nublado,
com possibilidade de pancadas de Graça?!
Veio então a Nuvem e cobriu a minha vida e a terra inteira.
E disse: "Eis aí a minha cria, em quem pus toda a minha Poesia!"
Prostraram-se o que comigo estavam.
Também a tristeza e a desilusão.
Ouçam-me, amedrontados!
A Nuvem está com a razão!
Voz da Verdade em meio ao trovão.
Ah, Santo Monte da transfiguração!
Subamos o monte, aos montes!
A calça jeans resplandeceu de alumiação!
Tendas, pra quê?
Tendo eu o Céu totalmente nublado,
com possibilidade de pancadas de Graça?!
Veio então a Nuvem e cobriu a minha vida e a terra inteira.
E disse: "Eis aí a minha cria, em quem pus toda a minha Poesia!"
Prostraram-se o que comigo estavam.
Também a tristeza e a desilusão.
Ouçam-me, amedrontados!
A Nuvem está com a razão!
Voz da Verdade em meio ao trovão.
Ah, Santo Monte da transfiguração!
Subamos o monte, aos montes!
sexta-feira, 2 de março de 2012
Prisão
Libertou-se a Poesia
das cadeias do meu coração,
quando o pão da Eucaristia
transubstanciou-se naquela prisão.
Correu, livre e desimpedida,
pelas veias até minhas mãos,
e escorreu, linda e faceira,
através da ponta do carvão.
Repousou na primeira folha
que viu em sua direção.
Criou asas e foi embora,
para longe do meu coração.
Foi habitar outras cadeias,
aguardar uma nova Redenção
que só vem com a Eucaristia,
com o louvor e com a oração.
das cadeias do meu coração,
quando o pão da Eucaristia
transubstanciou-se naquela prisão.
Correu, livre e desimpedida,
pelas veias até minhas mãos,
e escorreu, linda e faceira,
através da ponta do carvão.
Repousou na primeira folha
que viu em sua direção.
Criou asas e foi embora,
para longe do meu coração.
Foi habitar outras cadeias,
aguardar uma nova Redenção
que só vem com a Eucaristia,
com o louvor e com a oração.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Casamento
Casei-me num belo dia
com a Dama Poesia,
prometendo, na tristeza e na alegria,
ser dela eterna companhia.
Comigo não dormia,
pois ao céu sempre subia.
Mas em sonhos me conduzia
às suas altas moradias.
Sempre que do céu descia,
minha boca emudecia,
e minha mão então escrevia
o que a fala não conseguia.
Para o céu então subia
quando no meu ouvido dizia
Palavras que eu não ouvia
e que a terra desconhecia.
E vai chegar o lindo dia
que farei do céu minha moradia,
pra viver, com Alegria,
minhas núpcias com a Poesia.
com a Dama Poesia,
prometendo, na tristeza e na alegria,
ser dela eterna companhia.
Comigo não dormia,
pois ao céu sempre subia.
Mas em sonhos me conduzia
às suas altas moradias.
Sempre que do céu descia,
minha boca emudecia,
e minha mão então escrevia
o que a fala não conseguia.
Para o céu então subia
quando no meu ouvido dizia
Palavras que eu não ouvia
e que a terra desconhecia.
E vai chegar o lindo dia
que farei do céu minha moradia,
pra viver, com Alegria,
minhas núpcias com a Poesia.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Pensamento
De onde veio, Pensamento?
Chegou em hora tão inesperada,
quase tive um passamento!
Será que veio das altas moradas?
Ou é fruto de um esquecido momento?
Chegou na hora marcada,
caso tenha vindo do Firmamento.
Mas se veio com minhas passadas,
talvez não seja o divino intento.
Pouse numa folha e saia em revoada,
caso seja Palavra de um Deus Imenso.
Caia por terra e seja enterrada,
caso não seja para alguém um sustento.
Chegou em hora tão inesperada,
quase tive um passamento!
Será que veio das altas moradas?
Ou é fruto de um esquecido momento?
Chegou na hora marcada,
caso tenha vindo do Firmamento.
Mas se veio com minhas passadas,
talvez não seja o divino intento.
Pouse numa folha e saia em revoada,
caso seja Palavra de um Deus Imenso.
Caia por terra e seja enterrada,
caso não seja para alguém um sustento.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Mamoeiro
A gia gritou lá do alto do mamoeiro: "Socorro!"
A cobra estava em seu encalço.
Memórias de uma criança descalça.
Mamão é bom pra curar prisão de ventre.
E a gia foi-se, com ventre e tudo.
Lei da sobrevivência.
A cobra libertou-se da fome.
A gia também.
Livrai-me das prisões de ventre,
das prisões de gente, Senhor!
Louvarei até que as cadeias caiam no chão.
Ou até o anjo guiar-me para fora da prisão.
E não preciso de mamão.
Basta-me uma Mão,
que venha me valer,
mostrando-me a Salvação.
A cobra estava em seu encalço.
Memórias de uma criança descalça.
Mamão é bom pra curar prisão de ventre.
E a gia foi-se, com ventre e tudo.
Lei da sobrevivência.
A cobra libertou-se da fome.
A gia também.
Livrai-me das prisões de ventre,
das prisões de gente, Senhor!
Louvarei até que as cadeias caiam no chão.
Ou até o anjo guiar-me para fora da prisão.
E não preciso de mamão.
Basta-me uma Mão,
que venha me valer,
mostrando-me a Salvação.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Pavoa
Francisco casou-se com a Pobreza.
Viveu feliz.
Ensinamentos de Assis.
Há tantos procurando a Riqueza.
Vivem por um triz.
Gente infeliz!
Andam na corda bamba,
feita pelas plumas trançadas da pavoa.
Negam até ela cantar três vezes.
Bicho pra fazer zoada é pavão!
Pavoa faz ainda mais.
Se tropeçar, num avoa.
Cai no chão.
E não tem rede de segurança,
nem colchão.
Povo emplumado.
Enfeitado.
Despedaçado.
Viveu feliz.
Ensinamentos de Assis.
Há tantos procurando a Riqueza.
Vivem por um triz.
Gente infeliz!
Andam na corda bamba,
feita pelas plumas trançadas da pavoa.
Negam até ela cantar três vezes.
Bicho pra fazer zoada é pavão!
Pavoa faz ainda mais.
Se tropeçar, num avoa.
Cai no chão.
E não tem rede de segurança,
nem colchão.
Povo emplumado.
Enfeitado.
Despedaçado.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Valsa postulantada
* Aos Postulantes de Primeiro Ano da Vocação Recado.
Logo na chegada da sagrada morada,
recebeu-me Jesus, dizendo-me na entrada:
"Bem-vindo, meu filho, findou-se a caminhada,
toma pela mão esta que é agora a tua namorada."
E de mãos dadas, eu e minha amada,
iniciamos a valsa, que sempre foi dançada
por tantos casais, desde épocas passadas,
quando o Cristo ensinou como deve ser valsada.
Após algumas horas muito bem dançadas,
conhecendo as regras e normas de minha namorada,
vieram os conflitos naturais à vida comunitária,
que me fizeram pensar em arrumar minha mala.
Mas enfim aparece, nesta hora atribulada,
a Graça que estava sempre por perto, anuviada,
pegando-me pelo braço, desfazendo minha mala:
É a Vida Fraterna, que desce do céu na hora marcada!
Então, no grande salão, retomamos as passadas,
eu e minha sempre bela e doce namorada,
conhecendo a Santa Igreja, a Vida Consagrada,
o Mestre Jesus e as graças da Vida Missionária.
E quando finda o primeiro ato desta dança postulantada,
surge o mesmo Cristo, aquele que estava na entrada,
com vestes brancas, na companhia da Bem-Aventurada,
dizendo com voz suave e com a Alegria estampada:
“Viveste, meu filho, o primeiro ano de uma longa jornada,
abraçando esta Vocação como tua doce namorada.
Doe com amor teu sangue, teu suor e tuas lágrimas
e acolha a Graça que se derrama sobre uma Vida Consagrada!”
Logo na chegada da sagrada morada,
recebeu-me Jesus, dizendo-me na entrada:
"Bem-vindo, meu filho, findou-se a caminhada,
toma pela mão esta que é agora a tua namorada."
E de mãos dadas, eu e minha amada,
iniciamos a valsa, que sempre foi dançada
por tantos casais, desde épocas passadas,
quando o Cristo ensinou como deve ser valsada.
Após algumas horas muito bem dançadas,
conhecendo as regras e normas de minha namorada,
vieram os conflitos naturais à vida comunitária,
que me fizeram pensar em arrumar minha mala.
Mas enfim aparece, nesta hora atribulada,
a Graça que estava sempre por perto, anuviada,
pegando-me pelo braço, desfazendo minha mala:
É a Vida Fraterna, que desce do céu na hora marcada!
Então, no grande salão, retomamos as passadas,
eu e minha sempre bela e doce namorada,
conhecendo a Santa Igreja, a Vida Consagrada,
o Mestre Jesus e as graças da Vida Missionária.
E quando finda o primeiro ato desta dança postulantada,
surge o mesmo Cristo, aquele que estava na entrada,
com vestes brancas, na companhia da Bem-Aventurada,
dizendo com voz suave e com a Alegria estampada:
“Viveste, meu filho, o primeiro ano de uma longa jornada,
abraçando esta Vocação como tua doce namorada.
Doe com amor teu sangue, teu suor e tuas lágrimas
e acolha a Graça que se derrama sobre uma Vida Consagrada!”
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Busca
Busco sem cessar
a chance de encontrar,
no chão deste lugar,
algo que possa me valer,
coragem pra vencer,
um Livro para ler,
Pão para comer,
Vinho para beber,
um Caminho pra seguir,
uma Escada pra subir,
um Alguém pra abraçar,
um Mar para navegar,
Peixes para pescar,
uma Palavra pra me remir,
uma Rede pra dormir,
uma Razão pra acordar,
um Anjo pra me guiar,
o Céu pra me receber.
a chance de encontrar,
no chão deste lugar,
algo que possa me valer,
coragem pra vencer,
um Livro para ler,
Pão para comer,
Vinho para beber,
um Caminho pra seguir,
uma Escada pra subir,
um Alguém pra abraçar,
um Mar para navegar,
Peixes para pescar,
uma Palavra pra me remir,
uma Rede pra dormir,
uma Razão pra acordar,
um Anjo pra me guiar,
o Céu pra me receber.
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