A Noite aquietou-se em pensamentos.
Tomou uma das penas do pavão,
molhou a ponta na levada barrenta
e pôs-se a escrever poesia,
nas costas nuas do outro dia.
Quando deu por fim,
o Sol já ardia,
nas costas queimadas do novo dia.
O Pardal, do alto da sua morada,
leu os versos noturnos da Noite,
de forma bem cantada.
O Sol se riu
dos versinhos faceiros da Enluarada.
quarta-feira, 14 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Café
O cheiro do café me leva ao Céu.
Cheiro que nasce na cozinha,
e logo preenche a casa todinha!
A tapioca chega se arrepia,
pois sabe que vai ter companhia!
É a presença do amado!
Incenso perfumado.
Xicarado.
Em pano velho coado,
pra dar mais sabor.
Igual panela velha.
Beleza do velho gerando o novo.
Cheiro novo.
Gosto novo.
E tem Fé no próprio nome.
Deve ser por isso que é tão bom!
Esquenta,
revigora,
reanima.
Ah, Senhor, eu creio, mas aumentai o meu café!
Cheiro que nasce na cozinha,
e logo preenche a casa todinha!
A tapioca chega se arrepia,
pois sabe que vai ter companhia!
É a presença do amado!
Incenso perfumado.
Xicarado.
Em pano velho coado,
pra dar mais sabor.
Igual panela velha.
Beleza do velho gerando o novo.
Cheiro novo.
Gosto novo.
E tem Fé no próprio nome.
Deve ser por isso que é tão bom!
Esquenta,
revigora,
reanima.
Ah, Senhor, eu creio, mas aumentai o meu café!
segunda-feira, 12 de março de 2012
Bemtevinês
Aprendi bemtevinês com os bem-te-vis do meu quintal.
Em menos de um mês, estava fluente.
Fluindo!
E os pássaros se rindo com as piadas que eu contava.
E alegravam-se com as músicas que eu cantava.
Piava.
O Pardal, ao me ver piar, dizia: "Bem-te-viu, bem-te-vê!"
Dizia em bemtevinês, pra que eu pudesse entender.
Agora vou aprender o pardalês.
Talvez demore mais de um mês.
Língua complicada, essa de vocês!
Sem consoantes e sem vogais,
somente com seus piais!
Beijaflorês fica pra depois.
Há necessidade de se fazer muito bico.
E bico em excesso, por ora, basta-me no francês.
Em menos de um mês, estava fluente.
Fluindo!
E os pássaros se rindo com as piadas que eu contava.
E alegravam-se com as músicas que eu cantava.
Piava.
O Pardal, ao me ver piar, dizia: "Bem-te-viu, bem-te-vê!"
Dizia em bemtevinês, pra que eu pudesse entender.
Agora vou aprender o pardalês.
Talvez demore mais de um mês.
Língua complicada, essa de vocês!
Sem consoantes e sem vogais,
somente com seus piais!
Beijaflorês fica pra depois.
Há necessidade de se fazer muito bico.
E bico em excesso, por ora, basta-me no francês.
domingo, 11 de março de 2012
Chicote
Trancei um chicote de cordas com os punhos da rede.
Acorda!
Gritei, num ímpeto de cólera.
Meu cem por cento humano falando mais alto,
espalhando moedas pelo chão.
Resposta ao clamor do meu cem por cento divino,
escondido pelo peso dos desejos.
Peso que me impedia de decolar.
Zelo que me consome.
E foi boi pra todo lugar.
Ovelhas pra ali e pra acolá.
A Pomba pôs-se a voar.
Velhas vestes rasgadas a chicotadas,
exibindo o Templo que estava às escuras.
Chicotadas às claras!
Destruí vós este chicote,
e em três dias será reconstruído,
quando a Pomba do Céu voltar!
Acorda!
Gritei, num ímpeto de cólera.
Meu cem por cento humano falando mais alto,
espalhando moedas pelo chão.
Resposta ao clamor do meu cem por cento divino,
escondido pelo peso dos desejos.
Peso que me impedia de decolar.
Zelo que me consome.
E foi boi pra todo lugar.
Ovelhas pra ali e pra acolá.
A Pomba pôs-se a voar.
Velhas vestes rasgadas a chicotadas,
exibindo o Templo que estava às escuras.
Chicotadas às claras!
Destruí vós este chicote,
e em três dias será reconstruído,
quando a Pomba do Céu voltar!
sexta-feira, 9 de março de 2012
Chuva no Mar
E de repente, o Céu despencou no Mar.
Deram-se os braços e começaram a dançar.
Foi água pra todo lugar.
Vi muito anjo mergulhando.
Muito peixe a voar.
Querubim sunga trajando.
Ariacó pôs-se a levitar.
E eu na praia só olhando,
até os braços descruzar.
Corri desfazendo-me em chuva,
nadando nas águas do Céu,
voando nas nuvens do Mar.
Deram-se os braços e começaram a dançar.
Foi água pra todo lugar.
Vi muito anjo mergulhando.
Muito peixe a voar.
Querubim sunga trajando.
Ariacó pôs-se a levitar.
E eu na praia só olhando,
até os braços descruzar.
Corri desfazendo-me em chuva,
nadando nas águas do Céu,
voando nas nuvens do Mar.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Mulher
Procurei na gaveta um poema sobre o Dia da Mulher,
uma homenagem qualquer.
Mas não existe homenagem qualquer,
nem poema qualquer,
nem dia qualquer.
Principalmente quando se trata de Mulher!
E qualquer tentativa de escrever qualquer homenagem para o Dia da Mulher,
não será uma tentativa qualquer.
O "qualquer" tá na cabeça do homem.
Pronome indefinido que foi queimado em meio a sutiãs,
junto com outras amarras!
Mulher é substantivo,
e muito bem definido!
Feminino.
Um dia, me atreverei a escrever algo para o Dia da Mulher.
Quem sabe num "Oito de Março" qualquer,
ou em qualquer outro dia qualquer?
Qualquer que tenha sido a costela arrancada,
na força bruta ou de forma amena,
já valeu muito a pena!
uma homenagem qualquer.
Mas não existe homenagem qualquer,
nem poema qualquer,
nem dia qualquer.
Principalmente quando se trata de Mulher!
E qualquer tentativa de escrever qualquer homenagem para o Dia da Mulher,
não será uma tentativa qualquer.
O "qualquer" tá na cabeça do homem.
Pronome indefinido que foi queimado em meio a sutiãs,
junto com outras amarras!
Mulher é substantivo,
e muito bem definido!
Feminino.
Um dia, me atreverei a escrever algo para o Dia da Mulher.
Quem sabe num "Oito de Março" qualquer,
ou em qualquer outro dia qualquer?
Qualquer que tenha sido a costela arrancada,
na força bruta ou de forma amena,
já valeu muito a pena!
quarta-feira, 7 de março de 2012
Dez para o meio-dia
O relógio para.
São dez para o meio-dia.
A fome eterniza-se
nas barrigas da agonia.
A criança chora,
a mãe pede alforria.
O tempo não passa,
não chega o meio-dia.
A fome devora.
Peristáltica melodia!
A mãe procura em vão
o pai de sua cria.
O menino não resiste,
são dez para o meio-dia.
A mãe derrama lágrimas
sobre o manto que encardia.
Deus chora no céu
as dores que o homem cria.
O Pão que Ele repartiu
não chega a quem deveria.
E no seu divino relógio,
são dez para o meio-dia.
São dez para o meio-dia.
A fome eterniza-se
nas barrigas da agonia.
A criança chora,
a mãe pede alforria.
O tempo não passa,
não chega o meio-dia.
A fome devora.
Peristáltica melodia!
A mãe procura em vão
o pai de sua cria.
O menino não resiste,
são dez para o meio-dia.
A mãe derrama lágrimas
sobre o manto que encardia.
Deus chora no céu
as dores que o homem cria.
O Pão que Ele repartiu
não chega a quem deveria.
E no seu divino relógio,
são dez para o meio-dia.
terça-feira, 6 de março de 2012
Recruta
Ora se não é o Arcanjo Miguel!
O que veio fazer por aqui, anjo fiel?
Perdeu a condução que conduz as almas para o céu?
Ou veio recrutar recrutas para o vosso plantel?
Por que está me olhando assim, ser alado?
Acaso veio ser o meu advogado?
Ou serei eu um dos recrutas recrutados?
Seja o que for, anjo amado,
não me deixe por tanto tempo assim, angustiado,
e me diga, por que está me olhando assim, com tanto agrado?
O que veio fazer por aqui, anjo fiel?
Perdeu a condução que conduz as almas para o céu?
Ou veio recrutar recrutas para o vosso plantel?
Por que está me olhando assim, ser alado?
Acaso veio ser o meu advogado?
Ou serei eu um dos recrutas recrutados?
Seja o que for, anjo amado,
não me deixe por tanto tempo assim, angustiado,
e me diga, por que está me olhando assim, com tanto agrado?
segunda-feira, 5 de março de 2012
Avoador
Quando era menino, sonhava em avoar.
Um dia, o Pardal levou-me para o Alto do cajueiro,
colocou duas folhas nas minhas costas e disse:
"Bate as folhas e avoa, menino!"
Avoei, espalhando cheiro de caju pelo mundo.
Nunca mais quis pousar.
Bicho simples é Pardal!
Menino também!
E eu pensava que homem não sabia avoar.
Sabe mesmo não.
Homem não tem pena.
Menino tem pena e folha.
E oiça pra escutar o Pardal.
Menino é pequeno na terra dos Homens,
mas é grande no Reino dos Pardais.
Um dia, o Pardal levou-me para o Alto do cajueiro,
colocou duas folhas nas minhas costas e disse:
"Bate as folhas e avoa, menino!"
Avoei, espalhando cheiro de caju pelo mundo.
Nunca mais quis pousar.
Bicho simples é Pardal!
Menino também!
E eu pensava que homem não sabia avoar.
Sabe mesmo não.
Homem não tem pena.
Menino tem pena e folha.
E oiça pra escutar o Pardal.
Menino é pequeno na terra dos Homens,
mas é grande no Reino dos Pardais.
domingo, 4 de março de 2012
Transfiguração
Subi no alto da montanha e transfigurei-me.
A calça jeans resplandeceu de alumiação!
Tendas, pra quê?
Tendo eu o Céu totalmente nublado,
com possibilidade de pancadas de Graça?!
Veio então a Nuvem e cobriu a minha vida e a terra inteira.
E disse: "Eis aí a minha cria, em quem pus toda a minha Poesia!"
Prostraram-se o que comigo estavam.
Também a tristeza e a desilusão.
Ouçam-me, amedrontados!
A Nuvem está com a razão!
Voz da Verdade em meio ao trovão.
Ah, Santo Monte da transfiguração!
Subamos o monte, aos montes!
A calça jeans resplandeceu de alumiação!
Tendas, pra quê?
Tendo eu o Céu totalmente nublado,
com possibilidade de pancadas de Graça?!
Veio então a Nuvem e cobriu a minha vida e a terra inteira.
E disse: "Eis aí a minha cria, em quem pus toda a minha Poesia!"
Prostraram-se o que comigo estavam.
Também a tristeza e a desilusão.
Ouçam-me, amedrontados!
A Nuvem está com a razão!
Voz da Verdade em meio ao trovão.
Ah, Santo Monte da transfiguração!
Subamos o monte, aos montes!
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