O Pão bateu asas
e desceu do Céu.
Pousou no ombro
do homem-árvore,
que só anda
e não se cansa.
Fez Graça.
Graças!
Branquinho,
como uma garça.
Menina disse:
"Nunca vi pão com asas!"
Eu vi.
Vejo.
Sempre vejo.
Domingo,
na Comunhão.
É bom
e não engasga.
Passado no Fogo
e na Salvação!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Bicho verde
E de repente apareceu o bicho verde.
Pousou sobre a minha cabeça de criança.
Quase morreu chinelado, pobre coitado!
Fulminado.
Infante ignorância!
Desviou num salto
e restabeleceu-se no seu posto,
pintando o meu cabelo de verde.
Bicho teimoso.
Teimoso sou eu!
Ele é cheio de Graça,
nas suas antenas e nas suas asas!
Bicho teologal,
juntamente com o Bicho-fé e o Bicho-amor.
Insetos dos jardins das virtudes.
Bicho da espera perseverante.
Veio pra aproximar-me do Céu,
pra ensinar-me a ter confiança,
o bicho verde chamado Esperança.
Pousou sobre a minha cabeça de criança.
Quase morreu chinelado, pobre coitado!
Fulminado.
Infante ignorância!
Desviou num salto
e restabeleceu-se no seu posto,
pintando o meu cabelo de verde.
Bicho teimoso.
Teimoso sou eu!
Ele é cheio de Graça,
nas suas antenas e nas suas asas!
Bicho teologal,
juntamente com o Bicho-fé e o Bicho-amor.
Insetos dos jardins das virtudes.
Bicho da espera perseverante.
Veio pra aproximar-me do Céu,
pra ensinar-me a ter confiança,
o bicho verde chamado Esperança.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Música
Pensei que a Música
tivesse se perdido em Si,
num grito agudo,
agonizante,
bemol.
Nota solitária,
crucificada no alto do palco,
sob as luzes opacas
do palco,
na hora nona.
Mas ressuscitou,
para a surpresa do
silêncio do mundo,
na madrugada
do terceiro dia,
num acorde:
"Acordem!"
Cantou,
para os discípulos
que dormiam.
Levantaram
e saíram por aí,
cantando a Boa Nova,
espalhando Melodias.
tivesse se perdido em Si,
num grito agudo,
agonizante,
bemol.
Nota solitária,
crucificada no alto do palco,
sob as luzes opacas
do palco,
na hora nona.
Mas ressuscitou,
para a surpresa do
silêncio do mundo,
na madrugada
do terceiro dia,
num acorde:
"Acordem!"
Cantou,
para os discípulos
que dormiam.
Levantaram
e saíram por aí,
cantando a Boa Nova,
espalhando Melodias.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Verdade
A Verdade bateu à minha porta.
Abri e Ela entrou,
com jumento e tudo!
As verdades,
aquelas com "v" minúsculo,
assombraram-se com a visita.
Levantaram-se da mesa
da cozinha,
onde tomavam café fraco,
e saíram pela porta dos fundos,
calçadas com meias encardidas.
Deixaram suas xícaras,
meio secas.
A Vida,
que estava meio morta,
encontrou um pleno
motivo para ser inteira.
Completa.
Íntegra.
Feliz.
Verdadeira.
Abri e Ela entrou,
com jumento e tudo!
As verdades,
aquelas com "v" minúsculo,
assombraram-se com a visita.
Levantaram-se da mesa
da cozinha,
onde tomavam café fraco,
e saíram pela porta dos fundos,
calçadas com meias encardidas.
Deixaram suas xícaras,
meio secas.
A Vida,
que estava meio morta,
encontrou um pleno
motivo para ser inteira.
Completa.
Íntegra.
Feliz.
Verdadeira.
domingo, 1 de abril de 2012
Jumentinho
E entraram na Cidade da Luz,
a passos cavalgados,
flutuantes,
por sobre mantos e ramos.
Agitação de galhos de cajueiro,
perfumando as ruas
com cheiro de caju doce.
Jumento levitante,
carregando Peso leve
que caminha por sobre as águas.
Lá pelas tantas,
estremeceu de cócegas.
Arrepio de desenho de cruz
nas costas,
pintado com pó de carpintaria.
Marca que não se apaga,
gravada nos pêlos
e no coração.
Ao final de tudo,
desenho tomou forma
e carregou o Homem,
da Morte pra Vida.
Jumento ficou.
Dizem que ainda vive,
por aí,
contando parábolas
e fazendo Poesia.
a passos cavalgados,
flutuantes,
por sobre mantos e ramos.
Agitação de galhos de cajueiro,
perfumando as ruas
com cheiro de caju doce.
Jumento levitante,
carregando Peso leve
que caminha por sobre as águas.
Lá pelas tantas,
estremeceu de cócegas.
Arrepio de desenho de cruz
nas costas,
pintado com pó de carpintaria.
Marca que não se apaga,
gravada nos pêlos
e no coração.
Ao final de tudo,
desenho tomou forma
e carregou o Homem,
da Morte pra Vida.
Jumento ficou.
Dizem que ainda vive,
por aí,
contando parábolas
e fazendo Poesia.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Madrugada
A Manhã roubou o véu da Noite.
Queria tomar banho de lua.
Manhã penumbrada,
tornou a ser Madrugada.
O galo pôs-se a cantar,
estranhando o acontecido.
"Eita, Manhã desajeitada!"
Gritou o Sol, com cara de entardecido.
Entristecido.
Volta, Manhã, não seja mal-agradecida!
Enegrecida!
Ensolarada tu fica mais bonita!
Queria tomar banho de lua.
Manhã penumbrada,
tornou a ser Madrugada.
O galo pôs-se a cantar,
estranhando o acontecido.
"Eita, Manhã desajeitada!"
Gritou o Sol, com cara de entardecido.
Entristecido.
Volta, Manhã, não seja mal-agradecida!
Enegrecida!
Ensolarada tu fica mais bonita!
quinta-feira, 29 de março de 2012
Indigestão
Comi o Pão que a Poesia transubstanciou.
Fiquei com a barriga cheia de versos.
Desde então,
há uma constante movimentação
de poetas peristálticos.
Borboletas esvoaçantes,
roçando suas asas
nas paredes internas.
Obrando.
Estrofando.
Poemando.
Azia prazerosa de um sistema ativo.
Digestivo.
Criativo.
Inventivo.
Produtivo.
Fiquei com a barriga cheia de versos.
Desde então,
há uma constante movimentação
de poetas peristálticos.
Borboletas esvoaçantes,
roçando suas asas
nas paredes internas.
Obrando.
Estrofando.
Poemando.
Azia prazerosa de um sistema ativo.
Digestivo.
Criativo.
Inventivo.
Produtivo.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Impossível
Só posso ir
até onde me é possível.
O que passa disso,
não me atrevo a passar.
Nem mesmo sei usar
ferro de passar!
Pra mim, isso ainda
é impossível.
Deus sabe passar,
pois aprendeu com Nossa Senhora.
Pra Ele, o impossível
não passa de duas letras
além daquilo que posso.
E de letras,
Ele entende muito bem,
mesmo escrevendo torto,
e passando pano velho.
até onde me é possível.
O que passa disso,
não me atrevo a passar.
Nem mesmo sei usar
ferro de passar!
Pra mim, isso ainda
é impossível.
Deus sabe passar,
pois aprendeu com Nossa Senhora.
Pra Ele, o impossível
não passa de duas letras
além daquilo que posso.
E de letras,
Ele entende muito bem,
mesmo escrevendo torto,
e passando pano velho.
terça-feira, 27 de março de 2012
Passaverso
Minhas crias cresceram e bateram asas.
Foram-se do ninho.
Sina de passarinho.
Passaverso.
Foram em revoada.
Versoada.
Um caiu no chão,
não respeitou o tempo da maturação.
Faltaram-lhe as asas.
Estavam pouco desenvolvidas e...
Caiu no chão!
Coisas da vida!
Os outros saíram batendo versos por aí.
Foram-se pela Vida,
movidos pela Vida,
gerando Vida.
Passavida.
Foram-se do ninho.
Sina de passarinho.
Passaverso.
Foram em revoada.
Versoada.
Um caiu no chão,
não respeitou o tempo da maturação.
Faltaram-lhe as asas.
Estavam pouco desenvolvidas e...
Caiu no chão!
Coisas da vida!
Os outros saíram batendo versos por aí.
Foram-se pela Vida,
movidos pela Vida,
gerando Vida.
Passavida.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Aniversário
Hoje é dia vinte e seis,
do mês três.
Faria vinte e três,
se seguisse a ordem inversa dos fatos.
Mas faço trinta e dois,
seguindo a sucessão dos atos.
Ando pra frente,
como o tempo.
Trinta e poucos passos,
dados sobre solo firme e cadafalsos.
Cada piso falso,
riso falso.
Sobressaltos!
O Pardal deu-me um par de asas.
Agora posso voar,
para longe do asfalto.
Solo firme,
só no galho do cajueiro.
Lá no Alto!
Balança,
mas não cai.
E para ao Céu chegar,
basta-me um salto!
do mês três.
Faria vinte e três,
se seguisse a ordem inversa dos fatos.
Mas faço trinta e dois,
seguindo a sucessão dos atos.
Ando pra frente,
como o tempo.
Trinta e poucos passos,
dados sobre solo firme e cadafalsos.
Cada piso falso,
riso falso.
Sobressaltos!
O Pardal deu-me um par de asas.
Agora posso voar,
para longe do asfalto.
Solo firme,
só no galho do cajueiro.
Lá no Alto!
Balança,
mas não cai.
E para ao Céu chegar,
basta-me um salto!
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