Certa vez,
no tempo de menino,
eu provei Jesus
no capitão que
a minha mãe fez,
de arroz com feijão.
Capitão perfumado,
abençoado com sabonete
de mão de mãe.
Daqueles baratinhos,
cheirosos.
Foi a primeira vez
que comunguei.
Desde então,
Jesus pra mim tem
gosto e cheiro de
sabonete de mãe,
refogado de arroz
e feijão com
pimenta de cheiro.
Jesus simples,
caseiro,
refogado com alho,
cebola,
alfazema
e Amor.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Pé
Nasceu um pé de
Maria Imaculada
no meu quintal.
Brotou no solo infértil
onde nem mato brotava.
Brotei de Alegria!
E era cada folha
esvoaçante,
azul-manto.
Flores branco-véu.
Beija-flor encheu
bico de Graça.
Abelha açucarou
de tanto doce que tirou.
Disseram que fez
um litro de mel
duma flor só!
Antonte, vi um fruto
nascendo na manjedoura
de uma das flores.
Deve ser bem docinho!
Quando madurecer,
vou comer a carne
e plantar o caroço,
pra ver se nasce
um pé de Jesus!
Maria Imaculada
no meu quintal.
Brotou no solo infértil
onde nem mato brotava.
Brotei de Alegria!
E era cada folha
esvoaçante,
azul-manto.
Flores branco-véu.
Beija-flor encheu
bico de Graça.
Abelha açucarou
de tanto doce que tirou.
Disseram que fez
um litro de mel
duma flor só!
Antonte, vi um fruto
nascendo na manjedoura
de uma das flores.
Deve ser bem docinho!
Quando madurecer,
vou comer a carne
e plantar o caroço,
pra ver se nasce
um pé de Jesus!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
RES
Juntei o RES ao significado das coisas,
quando o Pardal suscitou no meu ouvido
o piado da Boa Nova.
Ressignifiquei as coisas.
Ressuscitei,
ressignificando a vida.
Tudo então passou a ter um novo significado.
Até as insignificâncias!
E as inconstâncias.
Letrinhas poderosas, essas três!
Ressignifiquei até vocês,
revertendo o que estava ao avesso.
Reestruturando,
gerando o SER.
Outro dia, disseram-me que o verbo "Ressignificar" não existe.
Não sei.
Eu existo.
SER.
Sou.
Ressuscitado.
Ressignificado.
quando o Pardal suscitou no meu ouvido
o piado da Boa Nova.
Ressignifiquei as coisas.
Ressuscitei,
ressignificando a vida.
Tudo então passou a ter um novo significado.
Até as insignificâncias!
E as inconstâncias.
Letrinhas poderosas, essas três!
Ressignifiquei até vocês,
revertendo o que estava ao avesso.
Reestruturando,
gerando o SER.
Outro dia, disseram-me que o verbo "Ressignificar" não existe.
Não sei.
Eu existo.
SER.
Sou.
Ressuscitado.
Ressignificado.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Extra ordinário
Subi até o olho da mangueira
pra pegar no amarelo da manga rosa,
que estava paquerando comigo.
Lá no lado esquerdo da casa,
onde o coração bate
quando o galo canta,
depois das três da tarde.
Feri o bucho da bicha
com uma dentada,
e fechei a vista num beijo.
Fui ao Céu e voltei,
numa chupada só!
Pardal enciumou.
A boca ficou tão doce
que o beija-flor quis me beijar!
Descobri o extra que há
no ordinário das coisas.
No ventre das coisas!
É o adocicado do que é comum,
aquilo que está além,
guardado no extraordinário
do simples.
pra pegar no amarelo da manga rosa,
que estava paquerando comigo.
Lá no lado esquerdo da casa,
onde o coração bate
quando o galo canta,
depois das três da tarde.
Feri o bucho da bicha
com uma dentada,
e fechei a vista num beijo.
Fui ao Céu e voltei,
numa chupada só!
Pardal enciumou.
A boca ficou tão doce
que o beija-flor quis me beijar!
Descobri o extra que há
no ordinário das coisas.
No ventre das coisas!
É o adocicado do que é comum,
aquilo que está além,
guardado no extraordinário
do simples.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Cheiro
Sinhá sentiu no refogado do arroz.
O pai,
no bebê mexendo na barriga da mãe.
A mãe,
na cabeça perfumada do bebê.
O bebê,
na mama da mãe.
O avô,
no café preparado no fogão a lenha.
A avó,
no desbulhado do terço.
A criança,
no algodão doce.
Todo mundo já sentiu o cheiro da Ressurreição.
Eu também senti,
na Alegria que este verso me trouxe.
O pai,
no bebê mexendo na barriga da mãe.
A mãe,
na cabeça perfumada do bebê.
O bebê,
na mama da mãe.
O avô,
no café preparado no fogão a lenha.
A avó,
no desbulhado do terço.
A criança,
no algodão doce.
Todo mundo já sentiu o cheiro da Ressurreição.
Eu também senti,
na Alegria que este verso me trouxe.
domingo, 8 de abril de 2012
Nascente
Era tarde da noite
quando o Sol ainda brilhava,
repartindo o Pão entre os seus.
Lá pelas tantas,
foi para o jardim,
junto com o Pardal,
o Bem-te-vi
e o Beija-flor,
e angustiou-se,
começando a se pôr.
Adentrou ao outro dia
numa penumbra
vermelha de sangue,
coroado de espinhos
e de chicotes.
Se pôs às três da tarde,
no topo do monte da Cruz,
e então escureceu,
por completo.
Mundo virou noite,
na nona hora do dia.
E permaneceu assim,
por horas sem fim.
Na madrugada do
terceiro,
o Sol acordou num repente,
vestiu-se de branco,
removeu a pedra
e raiou no Oriente,
para a surpresa dos Ausentes,
rasgando o véu do Poente,
reinando para sempre
no Nascente.
quando o Sol ainda brilhava,
repartindo o Pão entre os seus.
Lá pelas tantas,
foi para o jardim,
junto com o Pardal,
o Bem-te-vi
e o Beija-flor,
e angustiou-se,
começando a se pôr.
Adentrou ao outro dia
numa penumbra
vermelha de sangue,
coroado de espinhos
e de chicotes.
Se pôs às três da tarde,
no topo do monte da Cruz,
e então escureceu,
por completo.
Mundo virou noite,
na nona hora do dia.
E permaneceu assim,
por horas sem fim.
Na madrugada do
terceiro,
o Sol acordou num repente,
vestiu-se de branco,
removeu a pedra
e raiou no Oriente,
para a surpresa dos Ausentes,
rasgando o véu do Poente,
reinando para sempre
no Nascente.
Começos
Deus encheu-me de começos,
lá no começo da infância.
Desde então,
comecei a ver o começo das coisas,
principiando nas lentes do olhar.
Olhei para o Domingo
e vi a Semana começando,
com ramos na mão e gritos de Hosana!
Olhei para a Segunda,
para a Terça
e para a Quarta,
e vi a Entrega se entregando,
lentamente.
Na Quinta,
vi o começo da Missa,
que começou e nunca mais terminou.
Na Sexta,
vi o começo da Cruz,
porta que começou a se abrir.
No Sábado,
vi o começo da Esperança,
que começou a despontar
na Mãe de todas as Vigílias!
E por fim,
no Domingo seguinte
(ah, e que Domingo!),
vi o começo da Vida,
que começou vencendo a morte,
pra nunca mais morrer,
a Vida Eterna e Forte!
lá no começo da infância.
Desde então,
comecei a ver o começo das coisas,
principiando nas lentes do olhar.
Olhei para o Domingo
e vi a Semana começando,
com ramos na mão e gritos de Hosana!
Olhei para a Segunda,
para a Terça
e para a Quarta,
e vi a Entrega se entregando,
lentamente.
Na Quinta,
vi o começo da Missa,
que começou e nunca mais terminou.
Na Sexta,
vi o começo da Cruz,
porta que começou a se abrir.
No Sábado,
vi o começo da Esperança,
que começou a despontar
na Mãe de todas as Vigílias!
E por fim,
no Domingo seguinte
(ah, e que Domingo!),
vi o começo da Vida,
que começou vencendo a morte,
pra nunca mais morrer,
a Vida Eterna e Forte!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Pão
O Pão bateu asas
e desceu do Céu.
Pousou no ombro
do homem-árvore,
que só anda
e não se cansa.
Fez Graça.
Graças!
Branquinho,
como uma garça.
Menina disse:
"Nunca vi pão com asas!"
Eu vi.
Vejo.
Sempre vejo.
Domingo,
na Comunhão.
É bom
e não engasga.
Passado no Fogo
e na Salvação!
e desceu do Céu.
Pousou no ombro
do homem-árvore,
que só anda
e não se cansa.
Fez Graça.
Graças!
Branquinho,
como uma garça.
Menina disse:
"Nunca vi pão com asas!"
Eu vi.
Vejo.
Sempre vejo.
Domingo,
na Comunhão.
É bom
e não engasga.
Passado no Fogo
e na Salvação!
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Bicho verde
E de repente apareceu o bicho verde.
Pousou sobre a minha cabeça de criança.
Quase morreu chinelado, pobre coitado!
Fulminado.
Infante ignorância!
Desviou num salto
e restabeleceu-se no seu posto,
pintando o meu cabelo de verde.
Bicho teimoso.
Teimoso sou eu!
Ele é cheio de Graça,
nas suas antenas e nas suas asas!
Bicho teologal,
juntamente com o Bicho-fé e o Bicho-amor.
Insetos dos jardins das virtudes.
Bicho da espera perseverante.
Veio pra aproximar-me do Céu,
pra ensinar-me a ter confiança,
o bicho verde chamado Esperança.
Pousou sobre a minha cabeça de criança.
Quase morreu chinelado, pobre coitado!
Fulminado.
Infante ignorância!
Desviou num salto
e restabeleceu-se no seu posto,
pintando o meu cabelo de verde.
Bicho teimoso.
Teimoso sou eu!
Ele é cheio de Graça,
nas suas antenas e nas suas asas!
Bicho teologal,
juntamente com o Bicho-fé e o Bicho-amor.
Insetos dos jardins das virtudes.
Bicho da espera perseverante.
Veio pra aproximar-me do Céu,
pra ensinar-me a ter confiança,
o bicho verde chamado Esperança.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Música
Pensei que a Música
tivesse se perdido em Si,
num grito agudo,
agonizante,
bemol.
Nota solitária,
crucificada no alto do palco,
sob as luzes opacas
do palco,
na hora nona.
Mas ressuscitou,
para a surpresa do
silêncio do mundo,
na madrugada
do terceiro dia,
num acorde:
"Acordem!"
Cantou,
para os discípulos
que dormiam.
Levantaram
e saíram por aí,
cantando a Boa Nova,
espalhando Melodias.
tivesse se perdido em Si,
num grito agudo,
agonizante,
bemol.
Nota solitária,
crucificada no alto do palco,
sob as luzes opacas
do palco,
na hora nona.
Mas ressuscitou,
para a surpresa do
silêncio do mundo,
na madrugada
do terceiro dia,
num acorde:
"Acordem!"
Cantou,
para os discípulos
que dormiam.
Levantaram
e saíram por aí,
cantando a Boa Nova,
espalhando Melodias.
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