Hoje não vi nenhum passarinho.
Saíram todos do meu caminho?
O que houve com os bichinhos?
Arranjaram outras vidas pra construir seus ninhos?
Terei sido acometido pela cegueira da humanidade?
Ou será uma sorrateira preocupação que me invade?
Serão os oftalmo-problemas da terceira idade?
Dúvidas ao cair da tarde.
Espero que a graça de mim não fuja!
Já vem a noite e gostaria de uma ajuda,
mesmo que venha pelo piado triste da amiga coruja.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Cadente
Caiu uma Estrela
no meu quintal,
num repente.
Brilho reluzente.
Cadente.
Vaga-lume assustou-se
com o parente,
e louvou a Deus
por tão brilhante presente.
Vaga lembrança
de uma criança contente.
Sorridente.
Surtos de memória
de um adulto cadente,
que ainda guarda
os Fachos daquela
noite diferente,
lá dentro
do coração ausente.
Expectante.
Latente.
no meu quintal,
num repente.
Brilho reluzente.
Cadente.
Vaga-lume assustou-se
com o parente,
e louvou a Deus
por tão brilhante presente.
Vaga lembrança
de uma criança contente.
Sorridente.
Surtos de memória
de um adulto cadente,
que ainda guarda
os Fachos daquela
noite diferente,
lá dentro
do coração ausente.
Expectante.
Latente.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Alpendrado
Hoje amanheci
avarandado.
Alpendrado.
O Vento soprou
pelos quatro cantos,
levantando a varanda
da rede,
num falsete.
Vento agudo,
cantante!
Dons em ramalhete,
entregue e servido
em domicílio,
num banquete.
avarandado.
Alpendrado.
O Vento soprou
pelos quatro cantos,
levantando a varanda
da rede,
num falsete.
Vento agudo,
cantante!
Dons em ramalhete,
entregue e servido
em domicílio,
num banquete.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Roça
Vi o anjo com a enxada na mão,
roçando o roçado.
Era noite.
Sai do sereno, anjo,
vai pegar um resfriado!
Deixa essa roça!
Veio trazer sementes,
pra plantar no meu quintal.
E plantava.
Sai do sereno e entra na choça!
Entre quando quiser,
é pequena, mas é nossa.
E na garrafa tem café,
pra esquentar as asas.
roçando o roçado.
Era noite.
Sai do sereno, anjo,
vai pegar um resfriado!
Deixa essa roça!
Veio trazer sementes,
pra plantar no meu quintal.
E plantava.
Sai do sereno e entra na choça!
Entre quando quiser,
é pequena, mas é nossa.
E na garrafa tem café,
pra esquentar as asas.
domingo, 13 de maio de 2012
Mãe
Mãe é coisa inventada por Deus,
que é cheio de invenções.
Criou quando ainda pairava sobre as águas,
lá no começo de tudo,
e viu que era muito bom.
Gostou tanto da ideia que criou uma pra Ele.
Caprichou na feitura,
que só ficou pronta quando o tempo encheu-se de plenitude,
lá para as bandas de Nazaré.
Esperou algum tempo pra ganhar seu primeiro cafuné.
E pra não deixar menino esperando,
resolveu inverter a ordem das coisas.
Mãe agora vem primeiro,
pois mãe é quem gosta de esperar.
E espera por nove meses,
assistindo a barriga inchar.
Inchaço de Amor!
E Deus inchado de orgulho,
contemplando a maravilha que criou.
Ele que entende do assunto,
pois sempre foi Mãe, sendo Pai Criador.
que é cheio de invenções.
Criou quando ainda pairava sobre as águas,
lá no começo de tudo,
e viu que era muito bom.
Gostou tanto da ideia que criou uma pra Ele.
Caprichou na feitura,
que só ficou pronta quando o tempo encheu-se de plenitude,
lá para as bandas de Nazaré.
Esperou algum tempo pra ganhar seu primeiro cafuné.
E pra não deixar menino esperando,
resolveu inverter a ordem das coisas.
Mãe agora vem primeiro,
pois mãe é quem gosta de esperar.
E espera por nove meses,
assistindo a barriga inchar.
Inchaço de Amor!
E Deus inchado de orgulho,
contemplando a maravilha que criou.
Ele que entende do assunto,
pois sempre foi Mãe, sendo Pai Criador.
sábado, 12 de maio de 2012
Passagem
* A todos os profissionais de Enfermagem.
E então o povo
passou pelo meio do mar.
Marítima passagem,
passando da escravidão
para a liberdade.
Na plenitude dos tempos,
quis Deus por este povo passar.
Feito homem,
passante,
passando as pessoas
da enfermidade
para a felicidade.
Sina de enfermeiro,
da enfermagem.
Ensinamento que passou pela Cruz,
passando da morte
para a eternidade.
Lição que perdurou no tempo,
tornando-se profissão.
Ofício de tantos homens
e mulheres,
especialistas em passagens.
Passando enfermos
para outras realidades,
curando dores,
abrindo sorrisos,
fechando chagas.
Sina de enfermeiro,
da enfermagem.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Castanha
Fechei os olhos
e ouvi o bater de asas da rolinha.
Voou na hora da comunhão,
quando não pude comungar.
Senti o cheiro do caju,
com bicho-de-pé e tudo!
Nessa hora,
os anjos assavam castanhas,
debaixo do Cajueiro.
E eu só no sentimento.
Comungando no pensamento,
escorado no cantinho do pátio.
Ei, anjo baixinho,
me dá uma castanha?
Amanhã me confesso!
e ouvi o bater de asas da rolinha.
Voou na hora da comunhão,
quando não pude comungar.
Senti o cheiro do caju,
com bicho-de-pé e tudo!
Nessa hora,
os anjos assavam castanhas,
debaixo do Cajueiro.
E eu só no sentimento.
Comungando no pensamento,
escorado no cantinho do pátio.
Ei, anjo baixinho,
me dá uma castanha?
Amanhã me confesso!
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Poema e Poesia
Peguei o Poema
que estava prestes a voar,
num dos galhos
secos da laranjeira.
E o que ele me fez?
Ah, em Poesia me desfez!
Ferroou-me
com seu ferrão doce!
Adocicado fiquei,
com as mãos cheirando
a laranja madura.
Gripe correu léguas.
Tristeza também.
Poema é bicho
que dá em laranjeira.
Poesia é o adocicado
que ele me dá,
e que não posso
com as mãos tocar.
que estava prestes a voar,
num dos galhos
secos da laranjeira.
E o que ele me fez?
Ah, em Poesia me desfez!
Ferroou-me
com seu ferrão doce!
Adocicado fiquei,
com as mãos cheirando
a laranja madura.
Gripe correu léguas.
Tristeza também.
Poema é bicho
que dá em laranjeira.
Poesia é o adocicado
que ele me dá,
e que não posso
com as mãos tocar.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Desenho Geométrico
Bicho sem coração
é transferidor!
Valei-me, meu Santinho
da dor transferida!
Eu gosto é
da ferida transubstanciada.
Dor transformada
em rios de Amor,
que escorrem
do lado transferido.
Transpassado.
Círculos formados
pelos transferidores romanos.
Pregos romanos.
Cruz ferida
e transferida.
Compasso que
se abre para a Salvação,
circuncidando os pontos
que estavam soltos
na enorme folha de papel.
Folha branquinha,
manchada por uma imensidão
de desenhos geométricos.
Circuncidados.
é transferidor!
Valei-me, meu Santinho
da dor transferida!
Eu gosto é
da ferida transubstanciada.
Dor transformada
em rios de Amor,
que escorrem
do lado transferido.
Transpassado.
Círculos formados
pelos transferidores romanos.
Pregos romanos.
Cruz ferida
e transferida.
Compasso que
se abre para a Salvação,
circuncidando os pontos
que estavam soltos
na enorme folha de papel.
Folha branquinha,
manchada por uma imensidão
de desenhos geométricos.
Circuncidados.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Estouro
Menino, tá falando demais!
Menos é mais.
Nem sempre,
quando é a Graça que faz!
Como frear a Palavra
que me apraz?
Que te apraz?
As porteiras do céu abriram-se
e o Espírito corre
numa manada desenfreada,
levantando a Poeira
que há tempos estava assentada.
Sobe Poeira!
Estouro,
como no dia de Pentecostes!
Quem poderá contê-Lo?
Só o homem,
que é bicho contido.
Menino acha é bonito.
Bota mais boi no pasto,
pra o estouro ser maior!
Estourai!
Menos é mais.
Nem sempre,
quando é a Graça que faz!
Como frear a Palavra
que me apraz?
Que te apraz?
As porteiras do céu abriram-se
e o Espírito corre
numa manada desenfreada,
levantando a Poeira
que há tempos estava assentada.
Sobe Poeira!
Estouro,
como no dia de Pentecostes!
Quem poderá contê-Lo?
Só o homem,
que é bicho contido.
Menino acha é bonito.
Bota mais boi no pasto,
pra o estouro ser maior!
Estourai!
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