terça-feira, 5 de junho de 2012

Beleza

* Ao projeto Recado Social.

E a Beleza fez-se carne
e habitou nas ruas
escuras da Vida.
Entre nós,
bem próxima,
distanciada pelos
cordões da ignorância
nossa de cada dia.

Beleza que ninguém toca,
mas que tem talento pra tocar.
Beleza que cata e que canta.
Beleza que escreve,
colocando no papel
o seu verdadeiro encanto.

Beleza que tem muitos dons,
pois é naturalmente bela,
ainda que não possua roupas novas,
calçados novos,
oportunidades novas.

Beleza que ninguém vê,
mas que está diante de você.
Seja lendo uma poesia,
seja dormindo na rua fria,
é a Beleza de Deus
que se faz transparecer.

Saleiro

No meu terreiro
plantei a Poesia.
Nasceu um
pé de Salgueiro.
Pensei que fosse
dar pé de Açucareiro.
Vai entender!
Poesia se dá com sal.
Cresce mais rápido,
chorada,
temperando a pressão.
Açúcar é com abelha
e cana caiana.
Tem de ruma por aí.
Sal só no mar.
E no meu terreiro,
pra Poesia brotar.

domingo, 3 de junho de 2012

Passantes

Passarinhos.
Passam rios.
Passo frios.
Assovios.

"Cá" é uma nota
que fica bem aqui.
Difrente do "Lá",
que fica bem acolá.

De lente

Poesia
a gente
enxerga
de lente,
e de lento.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Despertador

Queria escrever algo de encantador.
Qualquer coisa que despertasse o leitor.
Que transpusesse as redes da retina
e escoasse para o coração,
aquele órgão pulsador.
E que lá fosse transformado em calor,
fulgor, ardor, dor,
ou em qualquer outra coisa que lembrasse o Amor.
Assim, cumpriria devidamente
a minha sina de escritor,
que sou, ou que ainda não sou,
colocando sentimentos em folhas de papel.
Não estas folhas branquinhas
que costumamos beijar com
a ponta do lápis.
Mas aquelas folhas incolores,
que batem em peitos tão frios,
tão voláteis.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Musicado

Bem maior com beijo.
Amor sustenido bemol.
Bem mais.
Sustenido e sustentado.
E Fé menor não presta,
causa dissonâncias,
relutâncias.
Menores, só nós.
Mi menor.
Sem Dó.

O que destoa é ficar à toa.
Acordo,
levanto em acordes
e luto sem falsetes,
em Verdade.
E sem Ré,
pois o tempo
só vai de ida,
em compassos,
subindo tons.

Desarmonias e agonias?
Pra quê, se tenho Força em Ti?
E em Ti não trastejo.
Ti maior com esperança aumentada,
cada vez mais,
partindo de Cá,
sem ar(Fá)r,
em busca de Lá,
do Lar,
do Céu suspendido bem bom.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Tigela

Uma mesma tigela,
sem brigas,
sem querelas.
Sonho que se abriu
numa janela,
revelando o
cumprimento
da promessa
de uma vida
sem trevas,
sem misérias.
Inimigos
de braços dados,
cão e gato,
sem prantos,
partilhando cuidados.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tempo

Amarrei o tempo
nos pés do Cristo
e nunca mais morri,
acumulando infâncias,
velhices
e madurices.
Desta forma,
vivo esta
efêmera vida
enquanto matéria,
até quando se forem
todas as minhas veias,
ossos
e artérias,
levados pelo
pó do Vento
e pelos ponteiros
do Tempo
até às portas
das Altas Moradas,
onde desatarei o nó
dos pés do Cristo
e me atarei,
em definitivo,
aos Seus caprichos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quiçá

Tranquei-me
por dentro de mim,
com todas
as minhas infâncias,
adolescências e,
quiçá,
com minhas velhices.
Deixei a chave
no lado de fora,
quiçá!
Quando era pequeno,
pensava que quiçá
fosse fruta doce
que dá em arbusto.
Como murici,
pulsá.
Quiçá é fruto
que dá em árvore
de possibilidades.
E havendo a possibilidade,
saio de dentro de mim,
quiçá amanhã,
quiçá depois,
quiçá quando Deus quiser.