segunda-feira, 11 de junho de 2012

Desfeto

Fetos
afeitos
a afetos.
Fecundados.
Feitos
em um ato
sem fé.
Infeliz.
Afetados
da mesma
forma,
desfeitos,
desfetos.
Fato!

sábado, 9 de junho de 2012

Bocados

Um bocado de bocas
e um punhado de punhos,
entrelaçados ao som
de um musicado de músicas,
misturados em um
sonhado de sonhos
que se sonha
num balaio de balas.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Licença

Abri a porta dizendo:
Com licença, Poética!
Passei o lápis na folha
e na imaginação.
Escrevi errado,
fazendo certo.
Seguindo as normas
da gramática miúda.
Licenciatura plena,
poética,
adquirida em meio
às pequenezas da Vida.
Aquelas que estão
fora da vista,
escondidas dos olhos grandes.
Cegos de gordura.
Poesia magrinha,
à base de Pão
e Água,
licenciada.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Corpus

Encorpado
em cor alva.
Transubstanciado,
transubstancialma.
Solúvel em bocas,
preparadas
ou não,
desejosas por um
encontro,
um alento.
Sustento.
Solúvel,
solícito
e salutar.
Um cem por
cento de tudo,
inclusive de Homem
e de Deus.
Corpo,
Sangue,
Alma
e Divindade,
conjunto pertencente
ao mundo dos irracionais,
pois não cabe
entre o “r” e o “o”
da razão.
Em latim,
é Corpus.
Em mim,
é Corpo,
do Cristo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pescaria

Passei sete dias
e sete noites
sentado numa pedra,
na beirada da lagoa,
caçando palavra.
Armei uma armadilha
e peguei sete coisas:
Três lambaris
e o resto foi de procurado.
Os lambaris,
devolvi a lagoa.
Com o procurado,
fiz quatro versos à toa.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Beleza

* Ao projeto Recado Social.

E a Beleza fez-se carne
e habitou nas ruas
escuras da Vida.
Entre nós,
bem próxima,
distanciada pelos
cordões da ignorância
nossa de cada dia.

Beleza que ninguém toca,
mas que tem talento pra tocar.
Beleza que cata e que canta.
Beleza que escreve,
colocando no papel
o seu verdadeiro encanto.

Beleza que tem muitos dons,
pois é naturalmente bela,
ainda que não possua roupas novas,
calçados novos,
oportunidades novas.

Beleza que ninguém vê,
mas que está diante de você.
Seja lendo uma poesia,
seja dormindo na rua fria,
é a Beleza de Deus
que se faz transparecer.

Saleiro

No meu terreiro
plantei a Poesia.
Nasceu um
pé de Salgueiro.
Pensei que fosse
dar pé de Açucareiro.
Vai entender!
Poesia se dá com sal.
Cresce mais rápido,
chorada,
temperando a pressão.
Açúcar é com abelha
e cana caiana.
Tem de ruma por aí.
Sal só no mar.
E no meu terreiro,
pra Poesia brotar.

domingo, 3 de junho de 2012

Passantes

Passarinhos.
Passam rios.
Passo frios.
Assovios.

"Cá" é uma nota
que fica bem aqui.
Difrente do "Lá",
que fica bem acolá.

De lente

Poesia
a gente
enxerga
de lente,
e de lento.