quinta-feira, 26 de julho de 2012

Equilivro

Em bambas cordas 
me equilibro, 
com a sabedoria 
de um livro.

Palhaço

Há uma pitada 
de coisas pintadas 
em mim, 
fazendo-me
palhaço de
mim mesmo.
Avesso.

Jeito

Gesticulados passos
de poeticados versos,
escritos com o dançar
dos teus sublimes gestos,
sem tintas,
com afetos.

Realidade

A Poesia, 
que estava 
no sangue, 
subiu à pele
e a manchou.
Bateu asas,
num rompante
de liberdade,
e a realidade
alcançou!

Minguolhos

As coisas muito boas 
são sempre muito poucas,
diante de olhos minguados.

Leitura noturna

E no buraco 
da noite 
pus-me a ler, 
enquanto a Lua,
cheia e serena,
pôs-se a me ver.

Pé de nuvens

Com os pés 
nas nuvens 
imaginei, 
em Poesia,
um pé de nuvens.

Girafa

E quem diria 
que um dia 
a Girafa secaria 
e uma torre 
então seria?

Flerte poente

O Sol piscou 
pra mim 
num repente 
quando ia
se indo
no poente.

Sofrimento

Hoje dei de cara 
com o sofrimento 
estampado em um rosto. 
No resto de um alguém
que rompeu consigo,
sem intento.
Rompimento descarado,
movido por
descontentamentos
sem faces,
adquiridos nas
muitas faces
do sofrimento.